Capitão Mauro critica ausência do Estado na Terceira Divisão
Para o Capitão Marcos Aurélio Martins dos Santos da Ia Cia. do 38o BPMM/SP da Terceira Divisão em São Mateus já na divisa com Mauá, a falta de planejamento familiar e controle da natalidade e a devastação que o homem faz dos recursos da natureza são as principais matrizes das misérias e carências que se encontram nas várias periferias das grandes cidades, inclusive na região onde sua companhia atua.
Falando um pouco ao jornal o capitão que está atuando na região há um ano lembrou que além das ações de polícia a PM tem participado de iniciativas pró-cidadania. Por conta disso se deu conta do tamanho da carência que a 3ª Divisão e bairros adjacentes tem. “Fizemos uma jornada onde iríamos prestar serviços de cortes de cabelo, orientação alimentar, orientação jurídica, psicológica e tirar documentos simples para a população e qual foi minha surpresa ao ver que entre as quase 3000 pessoas que passaram pela jornada, umas 500 sequer tinham chinelo nos pés”, enfatizou.
Foi à comprovação mais impactante sobre as condições do local onde opera a companhia. Para o capitão, sem planejamento familiar, educação e distribuição de renda, as periferias como aquela, vão ser sempre como umas espécies de fábricas de mais pobreza, desorientação e, também de caldo de cultura para o surgimento de novos criminosos. “Não dá para negligenciar e escamotear essa situação”, disse. O Capitão Marcos lembra que a maior responsabilidade continua sendo do Estado que, em muitos aspectos, está ausente e que num passado não muito distante foi inclusive o criador de situações como estas. Citou os nomes de Luiza Erundina e Paulo Maluf que quando prefeitos removeram comunidades inteiras de outros locais para ao bairro da 3ª Divisão que até hoje, não tem estrutura que comporte o número sempre crescente de habitantes.
A Companhia local da PM ainda participou de outra jornada da cidadania em conjunto com entidades locais como os Agostinianos e o Conselho de Segurança – Conseg, entretanto, deu uma contribuição mais significativa ao receber em suas dependências o projeto da Secretaria de Esportes do Município da Virada Esportiva. Segundo o capitão, depois de pesquisar a região o único local mais adequado para a realização das diversas modalidades esportivas que estavam na virada foi o espaço onde está sediada a própria companhia. “Preparamos a área com alguma areia doada, por exemplo, e a secretaria trouxe o material. Na ocasião foram realizados jogos envolvendo crianças e jovens e para nossa surpresa houve uma intensa participação das famílias”, comenta, para exemplificar outra forte evidência: a de que o local também não tem espaços de lazer apropriado para a comunidade. A iniciativa foi tão bem recebida que o Capitão ainda abre o mesmo espaço para a comunidade se divertir, mesmo que sem a participação da secretaria.
Segundo o capitão, a ausência da secretaria de Esportes é temporária. A secretaria tem intenção de manter um projeto permanente nas dependências da companhia, com a presença de monitores especializados para atender a essa demanda da comunidade. “A secretaria estuda um projeto para prover uma área esportiva dentro do batalhão, onde pretendem construir uma quadra poli esportiva, corrigir a pista de atletismo e a área de vôlei, bem como construir uma área coberta para xadrez, banheiros, vestiários, jardinagem”, registra as medidas que vai melhorar a companhia para o atendimento da comunidade.
A medida reforça o entendimento do capitão Marcos Aurélio de que o local só vai conseguir minimizar seus problemas com maior presença do Estado, não apenas na área da Segurança. “As coisas estão ligadas entre si: mais educação, saúde, planejamento familiar, empregos ou formas de gerar renda são medidas necessárias nesta área onde atuamos”, enfatiza.
Claro que a presença da PM e das operações que são realizadas é muito bem vinda, esclarece, dando como exemplo, os diversos índices de ocorrência que vem caindo. Atualmente, segundo o capitão, apenas os índices de roubo de veículos e peças de automóveis são preocupantes no Parque São Rafael, Promorar, Terceira Divisão, Parque Santo André e na Avenida Sapopemba. “Entretanto, temos atuado firmemente no combate a esses crimes”, registra.
Apesar de insistir numa maior presença do Estado para evitar aumentar o depósito de gente que determinadas regiões vem se transformando por conta de ocupações irregulares muito freqüentes na região. “Sem um controle de natalidade, planejamento familiar e uma nova mentalidade no uso dos recursos escassos da natureza determinadas iniciativas não são mais do que continuar enxugando gelo”, finaliza destacando a importância de acompanhar as benfeitorias prometidas por conta da instalação do projeto da Central Leste de Tratamento de Resíduos, mais conhecido como no novo aterro sanitário de responsabilidade da Eco Urbis, caso ele se concretize. – Publicado na GSM ed.252 25/10/07
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