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Breve história da Igreja Católica em São Mateus

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Ao tomar conhecimento que a Gazeta de São Mateus estava reunindo material para contar uma pequena história do bairro, o senhor Vantuir de Melo, mesmo circunstancialmente debilitado em sua saúde numa iniciativa louvável fez questão de fazer chegar à redação algumas anotações organizadas sobre o desenvolvimento da Igreja Católica na região desde a sua fundação até praticamente os nossos dias.

Diante de tanto esforço, a redação já agradece a colaboração e compilou as informações prestadas pelo senhor Vantuir de Melo. Acompanhe um resumo.

Em todo mundo católico o dia 21 de setembro é lembrado como o dia de São Mateus que naturalmente também é considerado o padroeiro do bairro. Para efeito de emancipação política do bairro adotou-se o mesmo dia do padroeiro.

Até ser elevada a condição de paróquia que foi construída com a doação de material das olarias. É bom lembrar que São Mateus tinha muitas olarias na época e com a doação da mão-de-obra o futuro bairro já tinha sua capela, entretanto as celebrações eram feitas por um padre e seminaristas a cada quinze dias que vinham do Seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração de Vila Formosa. Na mesma época, um senhor de nome Modesto vinha enviado pela Cúria Metropolitana fazer a catequese das crianças. Existia a capela e existiam os fiéis, entretanto não se tinha recursos para a manutenção de um pároco residente.

A catequese também era aproveitada por adultos e jovens para alguma aprendizagem religiosa. Neste período foram fundados na capela de São Mateus o Apostolado da Oração cuja presidente era Mariana de Souza Milani; a Pia União das Filhas de Maria presidida por Edinéia Milani e a Congregação Mariana cujo presidente era Manoel Nascimento Barros que na época namorava Ednéia Milani. Auxiliavam nos trabalhos ainda Delfim nascimento Barros e Eugênia Nascimento Barros

O próprio Vantuir, conhecido como Fine era o leiloeiro oficial durante as quermesses que eram realizadas com a colaboração do pequeno comércio que então existia, por exemplo, o Depósito Romeu Batalha, Empório Rocha e as olarias. Através de campanhas a Capela de São Mateus ganhou um órgão a pedal e tinha como responsáveis o casal Odilon e Antonia. Com o instrumento um primeiro coral foi formado pelos jovens José do Nascimento (Zé da Chácara); Waldomiro Eleutério da Silva (Miro); Delfim N. Barros; Manoel Barros; Eugênia N. Barros e o próprio Vantuir (Finé). A imagem do padroeiro foi doada pela família Mateo Bei, trazida por Dr. Fábio Bei quando foi celebrada uma missa em 21/09/1955.

Em 6/3/1958 o cardeal de São Paulo deu posse ao primeiro pároco na capela elevando-a a condição de paróquia passando a chamar-s Paróquia de São Matheus Apóstolo sob responsabilidade do padre Felix Jakubauskas, natural da lituânia que encontrou muitas dificuldades para manter-se na região por onde circulava com uma bicicleta enfrentando buracos. Padre Félix para se manter dava aulas de acordeom, entretanto, quem não podia pagar as aulas também participava. Quando o padre tomou posse já havia sido construída pela Cia. Irmãos Bei a casa paroquial, daí existir na igreja propagandas de imobiliária.

Na mesma época um altar de mármore foi doado a paróquia por Eugênia N. Barros num período em que apenas a Avenida Mateo Bei tinha nome oficial as demais ruas, por exemplo, a atual Antonio Previato era a rua 14; a Ângelo de Candia era a rua 15; a Luiz Botta era a 16; a Marechal Renato Paquet era a 18 e por assim em diante. Os posteamentos, segundo Vantuir eram todos de eucaliptos e apenas algumas ruas eram servidas de eletricidade pela então Cia. Light de Serviços de Eletricidade. Havia casas com energia elétricas emprestadas, mas não acintosos “gatos”, como vemos agora em alguns lugares.

A partir de então as missas todos os domingos encontrava o bairro ainda sem padaria própria e as poucas propagandas de então davam conta da existência de algumas poucas atividades. Tinha a farmácia do Moura ao lado do escritório da Cia. Irmãos Bei e ao lado de uma garagem administrada pelo Osvaldo Névola com caminhões e tratores que ainda trabalhavam na urbanização do bairro. Em 1960 ainda com a colaboração do incipiente comércio e das olarias foi construído mais um lance da paróquia ligando-a a igreja. A construção continuou dessa forma até 1992 já na gestão do Pe. Fernando Altimeyer Junior, atualmente professor universitário e casado. Foi na sua gestão que se iniciou uma nova construção para substituir a antiga igreja. Quando deixou à igreja as obras já estavam em fase de acabamento.

Após esse período novas paróquias foram fundadas na região: São Paulo Apóstolo no Jardim IV Centenário e J. Imperador; São Marcos Evangelista no Parque São Rafael; Santíssimo Sacramento na Cidade Satélite Santa Bárbara e Sagrada Face no Jardim Aricanduva entre outras espalhadas pelas comunidades.

Segundo Vantuir, foi o Nildo Gregório que fundou a primeira associaçãrio que fundou a primeira associaçespalhadas pelas comunidades.as algumas ruas eram servidas de eletricidade pela enta luta se o no bairro a União dos Moradores que tinha serviços de auto falantes onde os comerciantes faziam suas propagandas e onde todos os dias às 18h00 rezavam a hora da Ave Maria pela paróquia e a UMB. Com o tempo NIldo passou a União dos Moradores para a Associação Divulgadora A Voz da Colina, primeira experiência parcial de imprensa local e que posteriormente com o auxílio do Tenente Oscar outro ativista do bairro deu origem a Sociedade Amigos do Bairro que tinha como primeiro secretário o próprio Vantuir.

Vantuir ainda registra que em 1965 veio do Canadá o professor Jocelin Grenier Royer que com a ajuda do Padre Ary Joly, então pároco à época, que adquiriu dois terrenos na atual Rua Joaquim Gouveia Franco para a construção da sede própria da Sociedade Amigos da Cidade São Mateus onde se realizavam bailes, aulas de datilografia etc. O Padre Joly, hoje desligado da igreja e casado era muito amado pela comunidade e lutou incansavelmente pelo progresso do bairro tendo criado um serviço de atendimento médico com ambulância para o atendimento dos moradores independente dos credos religiosos. O Padre Ary também lecionou na EE Prof. Alfredo Machado Pedrosa. Ao lado da escola funcionava uma sub-delegacia de Polícia, mas não havia nenhum delegado e um sargento de nome Ferreira mais dois soldados faziam às vezes de autoridade e conciliadores em demandas familiares. Segundo Vantuir as ocorrências naquele período se resumiam as bebedeiras, brigas ou roubos de bombas de poço. NO mesmo período não havia os serviços da Sabesp e todas as residências que podiam eram servidas por poços individuais e fossas sépticas.

Por conta de escândalos com roubos de descargas em banheiros e de bombas e motores um salão próximo à igreja que era utilizado pelo Clube Atlético São Mateus foi fechado por causa de um abaixo-assinado por parte da maioria dos moradores católicos do local. Em 1965, após muita luta, iniciou-se a pavimentação da Avenida Mateo Bei e a colocação de luminárias de mercúrio e o desenvolvimento acelerou-se.

Em termos de cultura coube aos jovens ligados aos Congregados Marianos reunir as pessoas para assistirem filme no salão paroquial o que era praticamente a única diversão dominical existente no bairro, além dos jogos de várzea. Para o cinema eram trazidos os bancos da igreja para acomodar os presentes.

Seqüência dos párocos em São Mateus

Padre Félix Jakubauskas; Pe. Antonio Manoel de Castro; Pe. Ary Joly; Pe. José Moreira; Padres Luigi Valentini e Antony Sammult; Pe. Valeriano dos Santos Costa e Pe. Franco Torresi, este posteriormente administrador regional de São Mateus na gestão da prefeita Luiza Erundina; Pe. Pedro Luis Stringuini, atual bispo auxiliar de São Paulo; Pe. Fernando Altimeyer Júnior, desligado do ministério e professor universitário e o atual padre Lauro.

Sobre Vantuir de Mello (Filé):Iniciou os estudos no Colégio Arquiodicesano e foi um dos secretários do ex-cardeal de São Paulo, Dom Agnello Rossi e como estudante era atendente na Cúria Metropolitana e participou da campanha e ajuda do governo do Estado para o término das torres da Catedral da Sé, sempre ligado na fé e fiel a Igreja católica. Hoje se encontra enfermo, mas se desdobrou em nos ajudar a contar um pouco da história de São Mateus. – Publicado na Gazeta de São Mateus – ed251

Written by Página Leste

2 de outubro de 2007 às 9:38

Publicado em Sem categoria

Uma resposta

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  1. gostaria de ter notícias do Padre Luigi Valentini .Fui batizada nesta Paroquia em 1972.

    Avatar de denize appolinario rodrigues

    denize appolinario rodrigues

    14 de março de 2013 at 17:18


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