Archive for outubro 2007
Aposentada convive com descaso da Sabesp e prefeitura
Depois de anos de trabalho duro a aposentada Marta dos Santos, 75 anos, foi obrigada a abandonar sua casa recentemente e passou a pagar aluguel nas proximidades por conta dos transtornos causados pelas constantes inundações com água pútrida em seu quintal. As razões de tanto transtorno constatado pela reportagem têm vários fatores, mas a falta de solução para os encanamentos próximos a sua casa de responsabilidade da Sabesp em recolher adequadamente os efluentes domésticos é um dos principais.
O drama que a aposentada vive foi transferido para inquilinos que posteriormente abandonaram também a casa em função da situação caótica em tempos de chuva. Segundo a aposentada: “O problema está no entupimento da galeria ao lado de minha casa. Estou há muito tempo aqui e sei como foram feitos esses encanamentos”. Dona Marta lembra que quando foram feitos os arruamentos no local no tempo em que Reinaldo de Barros era prefeito, começou com a Avenida Maria Luiza do Val Penteado. A partir de então sua casa ficou ligeiramente abaixo do nível da rua. Os problemas, entretanto, se agravaram depois com o aumento do número de moradores no entorno.
Não bastassem as águas poluídas no quintal a situação ainda fica mais incomoda em função da convivência com a favela ao lado. Segundo a aposentada os moradores da favela jogam todo tipo de detritos na boca da galeria próximo aos canos a céu aberto provocando o entupimento e ainda despejam e tocam fogo constantemente em lixos e restos de móveis dispensados na parede da Creche Maria Cursi. Inalou e cheirou o lixo que se acumulava próximo durante todo o tempo. Por esse motivo, foi em mais de uma ocasião, à subprefeitura de São Mateus em companhia da diretora da creche para solicitar providências quanto aos problemas.
Foram inúmeras idas e vindas e a prefeitura e a Sabesp só atuando com paliativos quando a situação estava muito crítica. Apesar da sua idade ouviu mais de uma vez que ela deveria se conformar e até retirar a água que se acumula com as próprias mãos. Também foi orientada a anotar as placas de veículos que viessem a despejar entulhos e dejetos ao lado de sua casa e da creche como se essa fosse sua responsabilidade.
A aposentada que insiste em que o problema é da Sabesp, mas que a Prefeitura também tem responsabilidades, com razão, está apreensiva com o período de chuvas que se avizinha. Em função disso, a convite da redação a subprefeitura se comprometeu a dar uma olhada no local para tentar, de uma vez por todas, definir qual o problema e indicar as possíveis soluções.
Bem que a munícipe merece. Além de pagar seus impostos regularmente, ela ainda, apesar da idade, trabalha já há dez anos como voluntária no atendimento a doentes no Hospital de São Mateus.
Associação inicia mais uma central de coleta seletiva
A Associação Beneficente Comunitária ABC que atua desde 1997, no Jardim Vera Cruz iniciou no final de setembro uma central de triagem para material de coleta seletiva já empregando 14 pessoas que busca através do trabalho gerar alguma renda. Segundo o responsável, pastor Milton Carvalho da Igreja Assembléia de Deus trata-se de uma ação laica sem vínculo algum com a religião especificamente.
A central começa em terreno na Avenida Aricanduva, 8734 inicialmente com a colaboração do proprietário anistiando de aluguel nos dois primeiro meses e desse tipo de ajuda que a central precisa em seus passos iniciais. Para o pastor Milton a prioridade agora seria conseguir a doação ou adquirir uma prensa mecânica e um pequeno caminhão que pudesse recolher o material reciclado no entorno. “A economia com os gastos com o aluguel e combustível do caminhão poderia ser revertido em benefício da Central e dos participantes”, raciocina.
O pastor Milton resolver arregaçar as mangas nesse trabalho após conhecer através do Conseg – conselho de Segurança a persistente ação do delegado Marco Antonio Cicone, hoje no 54º DP da Cidade Tiradentes, mas que antes já havia estado no 64º DP da Cidade A E Carvalho e no 54º DP do Parque São Rafael, lugares onde desenvolveu trabalhos comunitários. “Se ele, um delegado pode fazer tanta coisa em prol da comunidade, porque eu, não posse seguir o exemplo”, explica. Quer chegar mais longe. A meta da associação beneficente é conseguir chegar a pelo menos 100 empregos diretos ou gerar renda para esse número significativo e vai se articular para isso. Devagar vai conseguindo adesões de pessoas ou entidades que de alguma forma possa ajudar.
A liderança explica que até mesmo os empresários da região poderiam contribuir a sua moda lembrando que determinados tipos de doação são dedutíveis, inclusive no valor do imposto de renda a ser pago pelas empresas. Caso consiga através do resultado do trabalho manter-se no mesmo local projeta para o futuro prover a central de uma infra-estrutura que possa permitir um desempenho melhor, talvez com salas e alguma informatização. Por enquanto as coisas estão só começando, mas já percebeu que tem demandas com mais pessoas querendo participar da central. Considera que se houver um pouco de colaboração das pessoas de boa vontade a central pode se tornar uma espécie de empreendimento que vai ajudar muitas famílias carentes naquela região.
O convite está feito e a central está de portas abertas para quem quiser conhecer melhor o trabalho que começou a ser desenvolvido. Sem telefone, por enquanto, o pastor disponibiliza o seu próprio celular para contatos: 6519-8474. Para os que desejarem ir direto ao local o endereço é Avenida Aricanduva, 8734 – sentido centro/bairro.
Por fim o pastor explica que o Amas do nome da associação quer dizer Ação Missionária de Ação Social, mas também faz alusão as amas, ou seja, as mães-de-leite como eram chamadas antigamente as mães que cuidavam inclusive dos filhos dos próximos.
A polícia e as escolas no tabuleiro
No sentido de aproximar os policiais militares e civis com a comunidade do bairro Cidade Tiradentes fora das rotinas policiais e em ações cidadãs, o comando da PM local e o delegado titular do 54º DP do bairro promoveram no dia 19, no Centro Esportivo André Vital Horário um desafio de xadrez com alunos das escolas locais convidadas. Cerca de 25 jogadores de 11 escolas participaram.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações dentro do projeto “Se Este Bairro Fosse Meu” que busca aumentar a credibilidade e a confiança das pessoas nos serviços prestados pela força policial do distrito que faz parte da estratégia mais geral de aumentar a aproximação de forma a reverter em mais segurança para a localidade, além de estimular a participação dos cidadãos no destino de sua comunidade.
A difusão da prática do xadrez é para tornar visível a já comprovada aquisição de qualidades intelectuais a quem prática que passam a desenvolver melhor o raciocínio, o autocontrole e a concentração. Indiretamente a atividade visa chamar a atenção da comunidade para outras ações que podem ser assumidas como a preservação do meio ambiente e tentando envolver a comunidade escolar a participar dos ideais de transformação do bairro.
O desafio de xadrez consistiu de vinte e cinco partidas simultâneas que tiveram início pela manhã e seguiu até o horário de almoço entre os alunos representantes das escolas, de um lado, tendo como desafiante o Capitão Mauro Rodrigues de Almeida, um exímio jogador e entusiasta da prática.
As partidas tiveram um caráter dramático em várias delas com as crianças se envolvendo com muito esforço diante da apreciação de dezenas de famílias presentes. O desafiante também não teve vida fácil. Em muitos momentos era possível ver o capitão se esforçando e de forma concentrada para derrotar seus oponentes.
Aos quatro alunos que venceram o desafiante estava reservado um prêmio simbólico extensivo à escola que representaram. Houve ainda um empate e 20 alunos que perderam a partida. Mesmo na hipótese de vitória do desafiante, foi oferecido ainda prêmio ao aluno que conseguiu, entre todos, efetuar o maior número de jogadas. Bicicletas e medalhas foram distribuídas aos participantes em acordo com as suas performances.
Para botar mais adrenalina na competição as unidades escolares também foram desafiadas, e caso desejassem aceitar mais esse desafio, a plantar, no mínimo, cinqüenta árvores nos limites do bairro, caso seus representante sejam vencido na competição.
Como se vê o desafio na realidade englobava duas ações. A primeira tentar vencer o desafiante e a segunda envolver-se na ação ambiental com o plantio de árvores. Duas ótimas iniciativas coordenadas pelo Capitão Mauro Rodrigues de Almeida, Comandante da 3ª Cia do 28º BPMM; da professora Maria Helena Tambellini Faustino, dirigente regional de Ensino Leste 3 e do delegado de Polícia titular do 54oDP, Marco Antonio Cicone com o apoio da subprefeitura da Cidade Tiradentes.
Ainda prestigiaram o evento o Coronel Antonio Carlos Artêncio, o presidente do CDL e Rotary de São Mateus, Carlos Roberto Soler, o subprefeito da Cidade Tiradentes, Artur Xavier, o Dr. Araújo, representando o Dr. Carrasco da 8ª Seccional, a Inspetora da GCM Lindamir Magalhães que esteve presente dando apoio e segurança ao evento entre várias outras autoridades e personalidades.
Para a realização do evento também foram importantes a participação das empresas: Brabbus Comércio de Metais; Supermercado Negreiros; Supermercados Compre Bem; Depósito de Material de Construção Okinawa e Depósitos Guarujá e as empresas de ônibus Nova Aliança e Himalaia. Também fizeram doação de uma das bicicletas os funcionários do Banco Bradesco da região.
Comentando o evento, o delegado Cicone titular do 54º DP ressaltou o sucesso do evento e o envolvimento da comunidade escolar dentro das ações do projeto Se Esse Bairro Fosse Meu que além de aproximar as entidades para ações cidadãs ainda estimula o plantio e a conservação de árvores nas localidades onde atuam que é a nova próxima etapa do projeto.
Entre os participantes um campeão
Fernando Henrique Severo da Silva, de 17 anos foi um dos que venceram a partida contra o Capitão Mauro e destaque entre os participantes. Praticante do xadrez desde os 9 anos de idade, ele já disputou 183 partidas com 150 vitórias, 5 empates e 35 derrotas.
Enquanto foi aluno da Emef Osvaldo Aranha foi bicampeão do município, vice-campeão estadual e com isso estar entre os 30 melhores jogadores do Estado. Depois de findo o projeto dentro da escola ele não desanimou e continuou envolvido com o xadrez. Desta vez dando aulas para os alunos do CEU Água Azul, quando foi contratado pela ONG por R$ 600,00; dinheiro com que sustenta: ele próprio, a mãe e mais dois irmãos. Inicialmente a ONG ficou receosa de empregá-lo para a tarefa em função de sua pouca idade, mas, felizmente, mudou de idéia após ver o currículo e o handcap do enxadrezista.
Com poucos recursos familiares, Fernando Henrique está decidido a cursar Pedagogia para também desenvolver o xadrez e suas qualidades enquanto estimulador do raciocínio. “Acho que o que eu aprendi com o xadrez pode auxiliar outras crianças também”, chegou a comentar.
E a bolsa de estudos chegou – Segundo o Coronel Antonio Carlos Artêncio presente ao evento, o desejo do Fernando em cursar Pedagogia já pode ser atendido. É que diante de tanto esforço e responsabilidade do jovem o coronel pediu ao Carlos Soler que intercedesse a favor do jovem. Soler, por sua vez, fez contato com a direção da Faculdades Santa Izildinha, que após conhecer a trajetória do jovem, confirmou, ainda durante o evento, que oferecerá ao Fernando uma bolsa de estudos completa para ele cursar a tão desejada Pedagogia.
Além de um ótimo desempenho durante a partida, Fernando comemorou com muita alegria junto a sua mãe o fato de ganhar a tão sonhada bolsa de estudos.
Audiência discute relatório sobre implantação de novo aterro
O anfiteatro do CEU São Rafael, em São Mateus foi todo tomado por representantes de entidades ambientais; de movimentos sociais e populares, representante de políticos, membros do governo local para a audiência pública oficial sobre o EIA/Rima do empreendimento Central de Tratamento de Resíduos Leste e durou mais de cinco horas com explicações do projeto. Aberta as intervenções diversas lideranças foram contra e outras a favor da instalação do empreendimento.
Como secretário do Consema – Conselho Estadual de Meio Ambiente coube a Germano Ceatra Filho conduzir dentro das regras do regimento que rege esse tipo de audiência com eficiência e pulso firme, tendo em vista os ânimos terem se exaltados em diversos momentos durante a assembléia. A mesa que dirigiu os trabalhos foi composta por ele próprio, por Carlos Vantuir e a diretora de avaliação de impacto ambiental Ana Cristina F. da Costa, todos do Consema. A audiência registrou também a presença de diversas autoridades entre elas o subprefeito de São Mateus, Clóvis Luiz Chaves, o delegado titular do 55oDP da Cidade Tiradentes, Marco Antonio Cicone e do deputado estadual Adriano Diogo (PT). Promotores e advogados.
Definida a pauta a audiência foi dividida em quatro momentos: a exposição do projeto pelo presidente da Eco Urbis; a exposição do relatório; as intervenções do plenário e as considerações e réplicas pelos expositores anteriores ou da própria mesa.
Primeiro a falar o presidente da Eco Urbis, Ricardo Acar lembrou da importância da instalação da central para a cidade de São Paulo. A Eco Urbis trabalha por concessão de 20 anos desde outubro de 2004 para gerenciar todo o sistema. Enquanto empresa atende 18 subprefeituras na cidade de São Paulo coletando cerca de 1740 Mil toneladas por ano para transportar, acomodar e tratar adequadamente o lixo.
Coube ao engenheiro Luiz Sérgio a parte mais longa: o detalhamento do relatório. Segundo informou 46 profissionais de várias áreas analisaram o empreendimento e prepararam o relatório a ser apresentado a Cetesb que envolveu estudos aprofundados sobre os impactos associados ao empreendimento, desde a qualidade das águas profundas e rasas existentes, a quantidade e a qualidade dos gases dispersos na atmosfera, a interferência na vegetação, na fauna, na economia, na interferência no entorno do empreendimento, etc. O diagnóstico foi completado com a avaliação sobre as medidas mitigadoras e as compensações propostas para a comunidade por conta dos transtornos que a instalação do complexo possa causar e sua adequação as leis existentes.
Primeiro aspecto destacado pelo expositor dá conta de que a área envolvida é de 1640 mil metros quadrados senso que o aterro sanitário propriamente dito ocupará 329mil metros quadrados. No entorno do aterro, segundo a exposição se implantará uma faixa de proteção incluindo o tratamento do chorume; o isolamento do solo para evitar contato com os dejetos e efluentes do tratamento do lixo além da recuperação das áreas remanescentes e recuperação ambiental da própria gleba.
Para ilustrar sua exposição o técnico afirmou que todos os estudos foram feitos e para tanto utilizaram dados sobre as chuvas, o regime dos ventos a umidade do ar e uma ampla investigação geotérmica e geológica. “Foram mais de 6,5km de investigação, sondagens num total de 36 investigações pontuais”, esclarece. “Todos esses estudos nos permitiram concluir que o local tem autonomia de sedimentação adequada. Estudamos também diversos lençóis freáticos no entorno e fora da Central e a intensidade de ruídos e dispersão de gases e todos esses aspectos estão dentro das medidas técnicas”, enfatiza.
Foram feitas também reuniões e estudos de impactos na vizinhança próxima e nada se constatou que pudesse condenar o projeto. Segundo Luiz Sérgio “foram entrevistadas 53 famílias no Jardim Zaira na 3ª Divisão e em outros lugares e não se observou possibilidade de problemas”. A longa exposição feita pelo técnico apontava que, sobre todos os aspectos, o impacto ambiental seria mínimo e que as compensações são adequadas. Parte delas é: a recuperação e proteção de 200 mil metros quadrados na nascente do Aricanduva; conservação do Morro do Cruzeiro e instalação de trilhas ecológicas; implantação do parque Sapopemba com infra-estrutura e manutenção; recapeamento parcial da Avenida Sapopemba e Rua Pedro Miguel além da instalação de guias e sarjetas no Jardim Zaira entre outras diversas iniciativas.
Plenária se divide em apoio e rejeição a instalação do aterro
Após a composição da mesa exposição do projeto que se deseja implantar e das explicações detalhadas do relatório Eia/Rima foi à vez dos representantes de entidades da sociedade civil presente se manifestarem. Um instante delicado com apartes da platéia fora das inscrições que exigiu muito pulso do coordenador da mesa para se assegurar à democracia e a participação inerentes à audiência pública.
Falando por um coletivo de entidades Décio José de Lima disse que o empreendimento não deixa claro se é um aterro ou uma central de tratamento, pois, segundo ele as normas técnicas são diferentes. “Fala-se uma coisa e apresenta-se outra”, queixou-se. Questionou também porque novamente a sua instalação em São Mateus; os efeitos dos gases dispersos no ambiente. Lembrou ainda que as compensações sobre a instalação do aterro já existente foram insignificantes ou nunca vieram e ironizou: “Ótimo, minha saúde vai embora, mas terei sarjetas, guias, asfalto”, fazendo uma referência às compensações propostas para o jardim Zaira. Décio também lembrou da dívida do Jockey Club de mais de 200 milhões ao tesouro e perguntou por que não fazer o aterro lá, no que foi muito aplaudido. Disse ainda que algumas entidades protocolaram junto a Consema para exigir também um estudo epidemiológico antes da instalação. “Que a empresa providencie este estudo para garantir que a saúde não será afetada”, resumiu.
Pela Defensoria da Água da CNBB falou Leonardo Aguiar Meirelles que foi na mesma direção e criticou as entidades que estavam se dobrando diante do empreendimento. Para ele a audiência sequer deveria estar ocorrendo uma vez que está sendo investigada a convocação pelo Ministério Público Federal.
Sérgio Alves de Souza, pastoral da ecologia lembrou que em outra audiência na Casa de Portugal. Não apareceu quase ninguém e que estava decepcionado com a fragilidade da resistência a instalação do novo aterro e conclamou as entidades e a população a manterem-se mobilizados e participantes do processo finalizando com a pergunta. Porque só em São Mateus?
Outro cidadão contrário à instalação do empreendimento era José Contreras de Mauá que protocolou junto a Câmara daquele município o pedido de uma audiência igual a que estava se realizando também em Mauá. “Vamos admitir que seja implantado aqui, como fica a população de Mauá?”, pergunta indicando que o Consema tem que olhar para além do município de São Paulo “A natureza não estabelece esses limites. O cheiro vai extrapolar São Paulo em direção a nossa cidade”, enfatizou.
Marisa Sueli Alves da Associação Comunitária Jardim Arantes da 3ª Divisão de São Mateus foi outra a quem a idéia não agrada. “Já passamos 20 anos sem compensação e sofremos com um acidente recente no aterro em agosto. Vamos sofrer mais 20”. Além de lembrar que o distrito já deveria ser credor do crédito de carbono criticou o fato das entidades terem sido consultadas somente agora. “Eles estudam essas alternativas há tanto tempo, por que só agora somos consultados”.
José Luiz Bezerra de França centro educacional e comunitário do Tabor, a exemplo de várias outras intervenções criticou nosso estilo de consumo e que é preciso mudanças de hábitos como não jogar lixo no chão, etc., para desenvolver sustentavelmente e propôs a criação de um conselho gestor tripartite com a participação da empresa, do poder público e do povo. “A responsabilidade é de todos nós”, finalizou.
Contra ainda registraram depoimentos Silvio Marques conselheiro da criança e do adolescente de Mogi das Cruzes que relatou a luta daquela cidade contra a instalação de um aterro, segundo ele, recheado de irregularidades. Também indicou que já existem outras tecnologias mais adequadas. Já o sindicalista José Vicente Pimenta e participante de comunidade religiosa, disse que algumas entidades protocolaram pedido de informações do Ministério Público Federal e pediu mais prazo para uma nova audiência. Sem citar que seriam as pessoas disse que tem sido vítima de ameaças em função da luta que trava pela suspensão do projeto até melhores esclarecimentos.
Juriciano Rodrigues de Lima, da Sociedade Amigos de bairro de Jardim Zaira defendeu o empreendimento lembrando que em algum lugar ele terá que ser instalado e que todos têm a obrigação de ao rejeitar apresentar alternativas. Enfatizou ainda a idoneidade da Eco Urbis e reconheceu que por diversas vezes fizeram reuniões com a comunidade para explicar os procedimentos.
Fátima Magalhães presidente do Conseg do Parque São Rafael e Cristina Rodrigues de Souza da Sociedade Amigos do Palanque se disseram a favor da instalação do aterro, enfatizando a importância de compensações significativas e o estímulo à coleta seletiva e apoio aos catadores, além da recuperação das margens do Aricanduva.
Olhando por um outro ângulo um morador do entorno apóia a instalação em função da possibilidade de melhorar os espaços onde moram através das compensações prometidas. Dizendo confiar na tecnologia adotada que deve minorar efeitos colaterais enfatizou que segundo ele a zona Leste não pode se dar ao luxo de dispensar mais um empreendimento que de certa forma ajudará a desenvolver a região.
Último a falar o delegado Cicone constatou a divisão no plenário entre os que eram contra e os que, como ele, é favorável a instalação do aterro alertando que “Vai chegar o tempo em que iremos agradecer o aterro ter sido instalado aqui”. Explicou em seguida que há muita gente interessada em que não existam empreendimentos e preservação para que sobrem áreas passíveis de ocupação irregular mais adiante. “Depois de ocupadas irregularmente ainda permitem a entrada e centenas de caçambas para deteriorar ainda mais a região”, ilustrou.
O que a reportagem percebeu ainda é que muita gente que aprovava a instalação do aterro se omitiu diante da hostilidade de algumas pessoas que eram contra. Finalizando essa etapa ainda falaram uma representante do Bloco Carnavalesco da Zona Leste; Alessandro Mezanino do Instituto Sócio Ambiental Jovem Talento; Hamilton Clemente líder comunitário Antonio Botero da OSB/SP; Laércio de Souza, da associação de moradores do Jd. da Conquista de São Mateus: o Padre Mauro da Igreja Coração de Maria; Dulce Alves da Cooperativa Chico Mendes; Jerônimo Barreto da Silva do Jardim São Francisco e José Cardoso dos Santos que se apresentou como especialista em limpeza urbana e autor de um livro sobre a máfia do lixo em 2003 dizendo que a principal peça a ser apresentada na audiência não tinha sido revelada. Para ele o contrato de concessão entre a Eco Urbis e a Prefeitura de São Paulo tinha que ser apreciada.
Mesa dá explicações sobre os apartes da plenária e encerra a audiência
Primeiro a se manifestar o coordenador da mesa Germano Filho disse de forma sucinta que a audiência obedecia regiamente todas as exigências e que a cópia do Eia/Rima estava disponível para consulta na biblioteca da Cetesb.
Ricardo Arcar reconheceu que a central de tratamento de resíduos é uma evolução em comparação ao aterro anterior. Lembrou ainda que a Prefeitura fará muita economia implantando essa concessão ao invés de pagar aos aterros particulares e que, diferente do que alguém havia alegado a vida útil desses aterros diante da demanda já não é de 20 anos e sim de no máximo seis anos, portanto, a implantação da central tem que ser breve. Informou ainda que haverá as compensações prometidas e a construção de um viveiro.
Também disse ver com bons olhos a criação de uma comissão tripartite e que, na prática isso já vinha se dando. “A Eco Urbis atendeu todas as perguntas, recebe as pessoas e esclarece a qualquer momento as dúvidas. Recebemos centenas de visitas organizadas no aterro e estaremos sempre disposição”, enfatizou. Quanto ao crédito de carbono, lembrou que cabe a prefeitura decidir como e onde utiliza-los.
Explicou ainda que a concessão é por 20 anos e que a Eco Urbis é remunerada por taxa fixa não pela quantidade daí ela ter enorme interesse na mudança de hábitos e costumes que resultem na diminuição do lixo e que está disposta a incentivar as iniciativas de reciclagem.
Para finalizar o presidente lembrou que o estudo do impacto retrata a verdade de forma imparcial e que serão tomadas todas as medidas possíveis para minimizar ou compensar os eventuais danos.
Feita as considerações finais por parte da mesa que informou que a audiência é mais uma etapa na avaliação do processo ela não é necessariamente a decisão final sobre se o projeto está aprovado ou não. O resultado dos estudos e as observações da audiência seguem para o Consema para dar continuidade ao projeto com um parecer sobre tudo isso, informou a diretora de avaliação de impacto ambiental Ana Cristina F. da Costa.
Capitão Mauro critica ausência do Estado na Terceira Divisão
Para o Capitão Marcos Aurélio Martins dos Santos da Ia Cia. do 38o BPMM/SP da Terceira Divisão em São Mateus já na divisa com Mauá, a falta de planejamento familiar e controle da natalidade e a devastação que o homem faz dos recursos da natureza são as principais matrizes das misérias e carências que se encontram nas várias periferias das grandes cidades, inclusive na região onde sua companhia atua.
Falando um pouco ao jornal o capitão que está atuando na região há um ano lembrou que além das ações de polícia a PM tem participado de iniciativas pró-cidadania. Por conta disso se deu conta do tamanho da carência que a 3ª Divisão e bairros adjacentes tem. “Fizemos uma jornada onde iríamos prestar serviços de cortes de cabelo, orientação alimentar, orientação jurídica, psicológica e tirar documentos simples para a população e qual foi minha surpresa ao ver que entre as quase 3000 pessoas que passaram pela jornada, umas 500 sequer tinham chinelo nos pés”, enfatizou.
Foi à comprovação mais impactante sobre as condições do local onde opera a companhia. Para o capitão, sem planejamento familiar, educação e distribuição de renda, as periferias como aquela, vão ser sempre como umas espécies de fábricas de mais pobreza, desorientação e, também de caldo de cultura para o surgimento de novos criminosos. “Não dá para negligenciar e escamotear essa situação”, disse. O Capitão Marcos lembra que a maior responsabilidade continua sendo do Estado que, em muitos aspectos, está ausente e que num passado não muito distante foi inclusive o criador de situações como estas. Citou os nomes de Luiza Erundina e Paulo Maluf que quando prefeitos removeram comunidades inteiras de outros locais para ao bairro da 3ª Divisão que até hoje, não tem estrutura que comporte o número sempre crescente de habitantes.
A Companhia local da PM ainda participou de outra jornada da cidadania em conjunto com entidades locais como os Agostinianos e o Conselho de Segurança – Conseg, entretanto, deu uma contribuição mais significativa ao receber em suas dependências o projeto da Secretaria de Esportes do Município da Virada Esportiva. Segundo o capitão, depois de pesquisar a região o único local mais adequado para a realização das diversas modalidades esportivas que estavam na virada foi o espaço onde está sediada a própria companhia. “Preparamos a área com alguma areia doada, por exemplo, e a secretaria trouxe o material. Na ocasião foram realizados jogos envolvendo crianças e jovens e para nossa surpresa houve uma intensa participação das famílias”, comenta, para exemplificar outra forte evidência: a de que o local também não tem espaços de lazer apropriado para a comunidade. A iniciativa foi tão bem recebida que o Capitão ainda abre o mesmo espaço para a comunidade se divertir, mesmo que sem a participação da secretaria.
Segundo o capitão, a ausência da secretaria de Esportes é temporária. A secretaria tem intenção de manter um projeto permanente nas dependências da companhia, com a presença de monitores especializados para atender a essa demanda da comunidade. “A secretaria estuda um projeto para prover uma área esportiva dentro do batalhão, onde pretendem construir uma quadra poli esportiva, corrigir a pista de atletismo e a área de vôlei, bem como construir uma área coberta para xadrez, banheiros, vestiários, jardinagem”, registra as medidas que vai melhorar a companhia para o atendimento da comunidade.
A medida reforça o entendimento do capitão Marcos Aurélio de que o local só vai conseguir minimizar seus problemas com maior presença do Estado, não apenas na área da Segurança. “As coisas estão ligadas entre si: mais educação, saúde, planejamento familiar, empregos ou formas de gerar renda são medidas necessárias nesta área onde atuamos”, enfatiza.
Claro que a presença da PM e das operações que são realizadas é muito bem vinda, esclarece, dando como exemplo, os diversos índices de ocorrência que vem caindo. Atualmente, segundo o capitão, apenas os índices de roubo de veículos e peças de automóveis são preocupantes no Parque São Rafael, Promorar, Terceira Divisão, Parque Santo André e na Avenida Sapopemba. “Entretanto, temos atuado firmemente no combate a esses crimes”, registra.
Apesar de insistir numa maior presença do Estado para evitar aumentar o depósito de gente que determinadas regiões vem se transformando por conta de ocupações irregulares muito freqüentes na região. “Sem um controle de natalidade, planejamento familiar e uma nova mentalidade no uso dos recursos escassos da natureza determinadas iniciativas não são mais do que continuar enxugando gelo”, finaliza destacando a importância de acompanhar as benfeitorias prometidas por conta da instalação do projeto da Central Leste de Tratamento de Resíduos, mais conhecido como no novo aterro sanitário de responsabilidade da Eco Urbis, caso ele se concretize. – Publicado na GSM ed.252 25/10/07
São Mateus: refletir o passado e agir para o futuro
EDITORIAL
São Mateus: refletir o passado e agir para o futuro
Para um distrito que segundo Censo oficial de 2000 tinha uma população de 381.605 habitantes e que segundo projeções de Sempla deverá ter aproximadamente 493.000 habitantes em 2010 quase nada de sua história tinha vindo ao conhecimento público antes da existência do jornal Gazeta de São Mateus. Foi com empenho, dedicação e esforço que parte dessa inesgotável história tem vindo a público através destas páginas nos últimos 14 anos; o mesmo período em que circulamos ininterruptamente. E quem sabe da lida em manter um jornal com esse perfil, sobrevivendo de seus próprios esforços sabe o valor que isso tem.
Não merecemos palmas por isso, apenas faz parte de nossa índole e missão: contribuir para a divulgação dos fatos e pelejar pelo desenvolvimento sustentável, diga-se de passagem, dessa imensa comunidade que aqui cria raízes, labuta e convive socialmente.
Achamos que tanto esforço tem valido a pena e que, mesmo em doses homeopáticas, deixaremos para o presente e para o futuro registros únicos, valiosos, fiéis do que tem sido essa história. Claro, sabemos que ela sempre estará incompleta e que visões distintas sobre os mesmo fatos ainda não foram totalmente registrados, entretanto, temos a compreensão que essa é uma tarefa para qual, historiadores, pesquisadores e porque não dizer, a própria comunidade poderia se debruçar.
Trata-se, mesmo pelo pouco que registramos, mas que é muito comparado ao que já se fez de uma história bonita, sensível e dizemos isso sem pieguice e sem desvios paroquianos. A nossa história é isso mesmo; cheio de lutas, de contradições; de pequenas e grandes obras; de pequenas e grandes participações. Na parte da história que estamos tendo o prazer de entregar nesta edição aos leitores e a toda comunidade, o nome da família Mateo Bei, de Nildo Gregório, de Tia Cida, por exemplo, são lembrados não em sua totalidade é claro, visto que essa seria uma tarefa a que teríamos que nos dedicar com a competência e a persistência de arqueólogos e de historiadores, mas com lealdade, com a realidade que pudemos observar e registrar. Para muitos as informações pouco vão acrescentar; outros poderão criticar que os dados estão incompletos, mas para a maioria será a primeira vez que poderão ler um pouco do que foi o passado longínquo e mais recente e fazer suas comparações e, oxalá, suas próprias pesquisas.
Para reunir essas informações, a diretora desse jornal correu trecho, pesquisou, ouviu pacientemente todos que tinham alguma coisa a declarar e o resultado, depois de editado e resumido você pode encontrar nesta edição. Da redação temos certeza que ainda faltava encontrar alguns elos perdidos, vasculhar algumas informações com mais profundidade, entretanto, esperamos contar com a compreensão dos leitores que não é esse necessariamente o papel do jornal.
Olhamos para o passado para agir no presente e construir o futuro e esta edição não estaria completa se não deixássemos algumas informações que apontam para o futuro, algumas explícitas, como por exemplo, um breve painel sobre o que o poder público reserva para esta comunidade em entrevista com o atual subprefeito de São Mateus e outras sutis para a reflexão de todos nos que em conhecendo o passado e vivenciado o presente possamos especular como pode ser o futuro.
Apenas uma certeza agregou-se ao nosso entendimento. São Mateus ainda tem muito trecho a percorrer e que essa empreitada ficará mais fácil se o povo se organizar, equacionar suas demandas; pressionar os poderes públicos, mas também fazer sua parte; operar no seu quintal, digamos assim. Como a história de alguns aqui nos mostra são também com pequenas e corretas ações que cada um de nós pode empreender que uma comunidade mais sadia, mais justa poderá ser construída.Portanto, nosso convite nesta edição é para que reflitamos sobre o passado e nos organizemos em ação para o futuro. São Mateus, pela sua rica história, merece essa atenção de nossa parte. – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251
Subprefeito fala sobre obras em andamento em São Mateus
Ao completar 59 anos de fundação, uma intensa história de lutas e mobilizações populares marca esse bairro da zona Leste que passou por diversas administrações e distintos prefeitos. Tivemos desde administradores regionais nascidos e criados nas próprias lutas da comunidade como indicados de políticos em distintos momentos.
Indicado e mantido pelo atual prefeito Gilberto Kassab, DEM, o atual subprefeito de São Mateus é Clóvis Luiz Chaves que embora não tinha tido contato com a realidade local antes de sua chegada, aprendeu com uma rapidez impressionante a entender a realidade sócio-econômica de São Mateus.
Para termos uma panorâmica da situação atual e das perspectivas do futuro imediato a Gazeta de São Mateus entrevistou o subprefeito de São Mateus. Acompanhe os principais destaques da entrevista dada a Lucy Mendonça, diretora do jornal.
GSM – Dr. Clóvis, bom dia, em função do período de comemoração de aniversário de fundação do bairro gostaríamos de saber do senhor em que pé se encontram algumas obras e realizações aqui em São Mateus e comecemos pelas obras do Parque Linear e do Expresso Tiradentes?
Clóvis: Com prazer Lucy. Sobre o parque linear eu Percorri o local com o presidente da Sabesp e considero que vai ser uma grande conquista para a região. Será um parque linear com toda estrutura e com os equipamentos escolhidos pela própria comunidade do entorno. Já foi iniciada a terraplanagem na Vila Prudente e está previsto para maio de 2008 a sua inauguração, quase junto com os 60 anos de São Mateus. Quanto ao Expresso Tiradentes grande parte já está concluída e em 2008 está previsto o término do trecho quatro aqui na Praça Felisberto – Largo de são Mateus e em 2009 até na Cidade Tiradentes.
GSM – Outra questão que a comunidade gostaria de saber, vamos ter um túnel no Largo de São Mateus e quando sai pra valer a revitalização da Mateo Bei?
Clóvis: O túnel ainda é objeto de estudos não concluídos, mas posso assegurar que haverá algumas desapropriações próximas do largo e as pistas serão alargadas. Segundo a CET e a SP Trans vai melhorar o trânsito e estão garantindo que vai melhorar o fluxo. Os estudos podem indicar a retirada do transito pesado da praça e, talvez, os trolebus talvez saiam para outro local. Quanto à revitalização da Mateo Bei é o velho problema da burocracia na coisa pública que vai num ritmo mais lento do que desejamos. Já recapeamos um quarteirão da avenida e acabamos de contratar a empresa que vai retirar e colocar os novos postes a partir do dia 01 de outubro.
GSM – E o que está sendo encaminhado para resolver nossos problemáticos córregos: do Machado e Cipoaba?
Clóvis: Lucy tenho certeza que o prefeito Kassab quer resolver isso. Os estudos estão concluídos e uma nova licitação está sendo feita. Com isso teremos uma empresa que em até 30 dias deve começar as obras. O Córrego Cipoaba, no Parque São Rafael foi um entre os 40 córregos da cidade escolhidos para revitalização e despoluição. A Sabesp está tomando providências e vai coletar o esgoto em todo o percurso do córrego Cipoaba e vai melhorar a qualidade de vida daqueles moradores do entorno, inclusive dos freqüentadores da escola pública local. O esgoto finalmente vai ser coletado.
GSM – Subprefeito tive oportunidade nesses dias de acompanhar um grande ato em protesto sobre uma eventual possibilidade de remoção de várias empresas, indústrias, inclusive na 3ª Divisão e no Jd. Palanque, por conta de estarem instaladas em áreas de mananciais, o que o senhor pode nos dizer sobre isso?
Clóvis: De fato, hoje as empresas estão proibidas de continuarem lá por ser área de manancial. Antigamente era permitido. Com a alteração de zoneamento ali passou a ser área de preservação ambiental. Estou lutando junto a Sempla e espero que os vereadores ajudem: dali sai o sustento de muitas famílias. Tem que ser feito um zoneamento de maneira que a empresa não poluidora permaneça e as poluidoras que se adaptem as novas exigências. Tratamos e defendemos isso na reunião da revisão do plano estratégico de São Mateus. No Jd. Palanque a mesma coisa. Na Rua Particular Timão são por volta de 20 empresas e no Jd. Palanque mais umas 40. A Sempla vai mandar para a Câmara o projeto de Lei com novo plano diretor, nossa proposta é que se permita a manutenção da empresa onde já está instalada.
GSM – São Mateus ao longo de todo esse tempo tem sido um local onde ocorrem com mais intensidade ocupações irregulares, em geral promovidos por pessoas de má fé e o Jardim São Francisco, como fica?
Clóvis: De fato, novamente, as ocupações são sempre irregulares, estão desmatando, ocupando e assoreando córregos. Já fizemos três retiradas e vários deles voltam ocupar em outro lugar. Depois que fixam moradia só podem ser retirados com ordem judicial. Além disso, você tem razão existem golpistas que vendem o que não lhes pertence: áreas da prefeitura e de preservação ambiental. É uma espécie de cultura que premia os invasores e os grileiros num primeiro momento, mas tem gente sendo processada e a justiça ainda vai pegar alguns deles. Fazemos o que é possível para evitar, entretanto, depois de ocupada passa a ser também uma questão que só se resolve com ajuda do Judiciário. Estamos atentos e quando podemos evitar o fazemos.
GSM – A Lei Cidade Limpa já completou um ano de sua vigência como esta Lei está sendo observada aqui em São Mateus?
Clóvis: Praticamente todos os comerciantes de São Mateus tiraram as propagandas, entretanto já informamos inclusive o CDL _ Câmara de Diretores Lojistas para avisá-los que precisam tirar também as armações que ficaram no local. Vamos fazer uma primeira fase avisando e orientando sobre a necessidade de promover a remoção das armações e depois se for o caso aplicar as multas que começam com R$ 10 Mil. Se algum comerciante está imaginando que as multas não vão ocorrer e que haverá jeitinhos ou que a lei eventualmente seja revogada pelo novo prefeito ou prefeita que vier assumir, acho melhor eles pensarem melhor, mesmo porque a lei tem apoio de mais de 80% da população, inclusive de comerciantes que reconhecem que ficou melhor e, não acredito que vão mexer em leis que deram certo. Primeiro avisamos, depois multamos.
GSM – Quem transita e observa a região percebe que algumas obras estão em andamento, entre elas a prefeitura mexendo no Rio Aricanduva, do que se trata?
Clóvis: Boa observação Lucy. Vários pontos do rio estão sendo afundados ou alargados para continuarmos evitando as enchentes que já diminuíram nos últimos anos devido à intensa manutenção de limpeza que mantemos no leito do rio. Depois de terminada as intervenções iremos plantar muitas árvores de um lote de mais de duas mil árvores que plantaremos na região. Também estamos construindo mais uma unidade do Céu na Terceira Divisão que vai atender a comunidade do entorno. Já é uma realidade e deverá estar pronto para março ou abril de 2008. Na divisa com a Vila Prudente outro Céu está com quase metade de sua obra pronta. A atual administração vai entregar 26 ceus na cidade, só na nossa região teremos cinco. E por falar em Terceira Divisão aquele canteiro de obra em uma de suas principais avenidas é para a coleta de esgotos no Parque das Flores. Atualmente 12% do esgoto de São Mateus somos tratados. A partir do ano que vem serão 78% o que vai dar um ganho enorme em termos de qualidade de vida para a população de São Mateus.
GSM – Essas são algumas que estamos vendo, entretanto continuam parados os pedidos para a instalação do Parque Santa Bárbara e do mercado municipal, o que o senhor tem a dizer sobre isso?
Clóvis: O que pretendemos para o Parque Santa Bárbara é conciliar a existência da praça com uma praça esportiva amadora com vestiários, pistas para caminhadas, etc. Já temos uma arquiteta finalizando um plano de paisagismo para o local e talvez comecemos a intervir com obras em janeiro próximo. Quanto ao mercado municipal não existe previsão para este ano e deveremos retomar esse assunto no ano que vem em respeito a essa demanda que foi expressa em abaixo assinado.
Para finalizar queria lembrar aos leitores que temos inúmeras pequenas reformas em escolas, postos de saúde e estamos asfaltando diversas ruas. Outra novidade é que 5700 famílias do Jardim da Conquista receberam recentemente seus títulos de propriedade o que é uma coisa muito importante para todos eles. – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251
Tia Cida: a Mãe do Samba de São Mateus
Conheça um pouco da trajetória de Maria Aparecida da Silva Tarjan, a “Mãe do Samba de São Mateus” que foi homenageada em show aberto no SESC Itaquera dia 16/09 no lançamento do CD São Mateus: o Berço do Samba com a presença da cantora e compositora Bete Carvalho.
Com 59 anos de residência em São Mateus, a assistente social aposentada Maria Aparecida da Silva Tarjan é conhecida no mundo do Samba como Tia Cida ou Cida Preta e essa história começou lá trás numa vida que é um exemplo de persistência e crescimento pessoal em vários aspectos, entre eles a relação com o samba que parece vem desde berço. Não foi sem motivo que ela foi a homenageada durante o lançamento do CD São Mateus: berço do samba no Sesc Itaquera, no dia 16, onde além de um enorme público teve a presença significativa da cantora e compositora Bete Carvalho.
Cida mora em São Mateus desde 1949, quando veio com a família da Vila Matilde ainda criança. São Mateus dava seus primeiros e incipientes passos e ela acompanhou como criança as lutas que as lideranças adultas tinham então. Eram tempos de muita dificuldade, mas de muita solidariedade e de confiança entre vizinhos registra buscando pela memória. Era tempo de olarias e os mais abastados moravam perto do Aricanduva. “Lembro bem de Waldemar do Santos; que para nós era considerado rico, mas que se relacionava com todos apertando e lembrando o nome das pessoas. Era um tempo de muita dignidade”, enfatiza. Tia Cida participou da primeira escola do bairro, então um galpão de madeira muito comum na época na Escola Estadual Pedro Machado Pedrosa e ainda se recorda das chamadas orais da tabuada. Aprendeu a ler e escrever no final da década de 40 parou de estudar para trabalhar e reencontrou os estudos anos depois.
Como a mãe era doméstica, Cida desde pequena foi se ocupar da mesma coisa. Iniciou com 13 em casa de família na Zona Norte de São Paulo; depois foi levada por uma tia para trabalhar em casa de família na vila Madalena e ainda em outras casas até se casar em 1963, ainda jovem e frustrada por não continuar os estudos. Com o marido do qual se separou não muito tempo depois teve três filhos e precisava voltar a trabalhar para sustentar as crianças até que certo dia, diz ela, bateu a sua parte dois padres recém chegados da Itália que a procuraram por recomendação. Um deles era o Padre Franco Torresi que muito ligado na política muitos anos depois largou o sacerdócio, casou-se e, inclusive foi o administrador regional durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, então no PT.
Tia Cida registra que a pedido foi trabalhar na paróquia em trabalhos sociais e esse período mudou sua vida e sua compreensão do mundo. Foram anos de lutas e movimentos populares. “Período das comunidades de base e da visão progressista da Igreja a partir do encontro de Medellín, na Colômbia com a Teologia da Libertação”, explica. “O Franco era ativista e reviramos São Mateus de cabo a rabo, organizando as reivindicações que desembocaram em várias ações e que também deram origem ao movimento de saúde”, lembra. “Com todos esses trabalhos e com que aprendia, posso dizer que renasci”, conclui.
Para Tia Cida o seu envolvimento era tão intenso que ela desconfia até que os próprios movimentos não queriam o que poderia ser considerado a sua radical idade, reflete com humor. “Tinha muita gente que queria minha cabeça”, ri. Certo dia, o médico Zé Augusto que era do movimento de saúde e posteriormente foi inclusive prefeito da Cidade de Diadema sugeriu que ela se preparasse para um concurso na Prefeitura para ser uma visitadora sanitária. Tia Cida num primeiro momento não dava muita bola, trabalhava com a paróquia e com os movimentos enquanto criava seus filhos. O doutor Augusto não só insistiu como deu um curso preparatório da qual ela participou. Quando foi o concurso, ela se surpreendeu porque na classe estaria disputando vagas com farmacêuticos, biólogos, estudantes de medicina etc. “Aquilo de certa forma me tranqüilizou, fiquei relaxada pensando que não poderia competir e fiz a prova já com a certeza do fracasso. O resultado: fui informada que passei em primeiro lugar”, exclama. Mesmo assim não deu muita bola e até perdeu o prazo para assumir o cargo. Segundo Tia Cida, passado cinco dias do prazo ter terminado “Fui contatada pela supervisora de Saúde da Penha para eu assumir o cargo. Acho que foi o empenho do pessoal de Itaquera e São Mateus que não me queriam como radical por ali”, ri, novamente.
Depois de ter assumido o seu posto a pressão dos companheiros continuaram e a incentivaram a voltar a estudar. As crianças já estavam mais crescidas, portanto lá foi ela se formar em Serviço Social na Faculdade Zona Leste, que posteriormente tornou-se a Unicid. Tia Cida conta que a administração da escola se aborreceu com ela porque ela levava os alunos às sextas-feiras a faltarem nas últimas aulas para irem aos sambas. Sinal de que apesar de toda trajetória o vínculo com o samba nunca foi rompido.
Em 1985 depois de formada o seu nome estava sendo indicado para a direção das creches da prefeitura na administração Mário Covas. Ela foi para a creche Bárbara Heliodora e logo depois para uma creche na Cohab Juscelino e destacou-se pelas festas que fazia para arrecadar fundos extras para as despesas da creche. Novamente ligada ao samba, suas festas eram um sucesso com o encontro de gente do samba e da comunidade. A coisa dava tão certa que se repetiam duas vezes por ano envolvendo a comunidade. A própria coordenadora do serviço social na época registrava a autonomia que essas festas permitiam sob a direção da Tia Cida. Tia Cida aposentou-se como diretora da creche Jardim Vila Carrão em 2002, que agora é uma CEI.
E, eu com o samba
A sua ligação com o samba já vinha da parte da mãe e da avó que dançava lundo, da mesma forma que ela ainda hoje dança. Era coisa de família e com seus filhos crescendo e querendo curtir o samba restou a Tia Cida acompanha-los. Ela se preocupava por onde andavam e com quem se relacionavam os filhos, daí restou ir junto o que não era nenhum aborrecimento, pelo contrário, vinda do samba era uma tarefa prazerosa. “Descobríamos, por exemplo, que tinha um bom samba no Brás, lá íamos nós em turma, praticamente uma família. Era comum sairmos juntos”, explica.
Da própria relação que ela desenvolveu no trabalho comunitário e nas creches, as pessoas começaram a se agregar na sua casa para ensaios. “Vinha gente de várias partes, eles ensaiavam e eu já lembrava de determinada festa beneficente das quais eles participavam”, informa. Um de seus filhos, Marcelo, ganhou um cavaquinho preto da mãe, logo após o falecimento do pai para se distrair. Com o tempo tornou-se um exímio instrumentista e, segundo Tia Cida é considerado pela Bete Carvalho um dos melhores cavado do Brasil, o que não é pouca coisa.
Essa relação com a Bete, explica ela, vem do fato de Marcelo tocar em boate desde os 16 anos “ele tinha tamanho e responsabilidade, apesar da idade”, em boates. Em uma dessas ocasiões conheceu a Bete Carvalho em um outro local onde era muito comum o encontro de músicos chamado Boca da Noite. Daí nasceu uma amizade e formou-se com dois sambistas de Santo Amaro e os três de São Mateus o Quinteto Branco e Preto, apadrinhado pela Bete Carvalho que visitou São Mateus e a Tia Cida algumas vezes. Ela mesma estava presente no lançamento do CD, no Sesc, onde se homenageou a Tia Cida, considerada a Mãe do Samba.
“A rotina da minha casa era com gente chegando para ensaios, visitas e intercâmbios com outros grupos de samba e mais água no feijão para alimentar alguns deles”, ri, também lembrando quantas vezes acompanhou os filhos à fábrica de instrumentos situado na Avenida Celso Garcia. “Essas coisas todas foram acontecendo durante os últimos vinte anos. Talvez seja por isso que, essa moçada, gentilmente me considera dessa maneira”, diz humildemente. Apesar da maior divulgação que os bons grupos de samba hoje estão tendo, Tia Cida mantém a reflexão e alerta para o preconceito que ainda se mantém com o samba.“Fiquei feliz por eles me quererem no palco, embora eu goste mesmo é de ficar junto do povão”, explica tia Cida sobre o que ocorreu no Sesc que concretamente foi um belíssimo show com a sua participação logo no início em atendimento a um refrão que faze menção ao seu nome. Tia Cida entrou no palco e sob aplausos cantarolou e dançou o semba ou o lundo como sua vó dançava, mantendo acesa a chama da cultura como só uma verdadeira mãe do samba faria. – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251
Para alguns Nildo Gregório também deu mancadas
Percorrendo a história de São Mateus o nome de Nildo Gregório se destaca em vários momentos. Na maioria deles registraram-se depoimentos que o tomam como a primeira grande liderança do bairro, sendo um dos principais responsáveis pelo seu desenvolvimento inicial e isso literalmente. Foi Nildo Gregório que coordenou a abertura das primeiras ruas no loteamento com burros puxando monstruosos arados que sulcavam as terras.
Nildo também foi o responsável pelas primeiras ações organizativas da população para reivindicar as melhorias. Foi dele também a iniciativa para o primeiro serviço de comunicação na comunidade: um serviço de alto falante.
Mas como nem tudo são flores, José de Brito de 85 anos com 47 anos de São Mateus nos conta que em pelo menos um determinado momento o Nildo Gregório proporcionou uma grande decepção aos moradores que esperavam que ele fosse como prometera, pouco tempo antes ser o candidato a vereador na década de 60. “Esperávamos que o Nildo fosse o candidato a vereador e com o trabalho que ele desenvolvia seria eleitor facilmente com os votos dos moradores de São Mateus e do Aricanduva. Acho que ele ia ganhar estourado”, registra José de Brito.
No início da campanha eleitoral, segundo José de Brito, foi colocado um palanque em um descampado que reuniu praticamente toda a comunidade que esperava ouvir de sua mais significativa liderança que ele seria candidato. “A decepção foi grande, Nildo Gregório apareceu no palanque e falando aos presentes informou que não seria candidato e que estava apoiando certo Capitão Joaquim. Como desculpa, Nildo falou que não tinha conseguido legenda, mas a desconfiança nossa é que já naquele tempo correu grana. A nossa liderança deve ter recebido dinheiro para não concorrer e apoiar o referido capitão”, explica. Para fechar o assunto o capitão, apresentado pelo Nildo não foi eleito, mas ficou como suplente.Passada aquelas eleições as lutas continuaram e anos depois, talvez pegando gosto pela coisa, Nildo Gregório se candidatou, mas não foi eleito e, segundo José de Brito, entrou em depressão. “As coisas tinham mudado muito com São Mateus crescendo. Nildo ia de porta em porta com seu ‘santinho’, mas o seu tempo havia passado e muitos sequer sabiam o quanto ele tinha lutado pelo bairro”, concluiu. – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251
Breve história da Igreja Católica em São Mateus
Ao tomar conhecimento que a Gazeta de São Mateus estava reunindo material para contar uma pequena história do bairro, o senhor Vantuir de Melo, mesmo circunstancialmente debilitado em sua saúde numa iniciativa louvável fez questão de fazer chegar à redação algumas anotações organizadas sobre o desenvolvimento da Igreja Católica na região desde a sua fundação até praticamente os nossos dias.
Diante de tanto esforço, a redação já agradece a colaboração e compilou as informações prestadas pelo senhor Vantuir de Melo. Acompanhe um resumo.
Em todo mundo católico o dia 21 de setembro é lembrado como o dia de São Mateus que naturalmente também é considerado o padroeiro do bairro. Para efeito de emancipação política do bairro adotou-se o mesmo dia do padroeiro.
Até ser elevada a condição de paróquia que foi construída com a doação de material das olarias. É bom lembrar que São Mateus tinha muitas olarias na época e com a doação da mão-de-obra o futuro bairro já tinha sua capela, entretanto as celebrações eram feitas por um padre e seminaristas a cada quinze dias que vinham do Seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração de Vila Formosa. Na mesma época, um senhor de nome Modesto vinha enviado pela Cúria Metropolitana fazer a catequese das crianças. Existia a capela e existiam os fiéis, entretanto não se tinha recursos para a manutenção de um pároco residente.
A catequese também era aproveitada por adultos e jovens para alguma aprendizagem religiosa. Neste período foram fundados na capela de São Mateus o Apostolado da Oração cuja presidente era Mariana de Souza Milani; a Pia União das Filhas de Maria presidida por Edinéia Milani e a Congregação Mariana cujo presidente era Manoel Nascimento Barros que na época namorava Ednéia Milani. Auxiliavam nos trabalhos ainda Delfim nascimento Barros e Eugênia Nascimento Barros
O próprio Vantuir, conhecido como Fine era o leiloeiro oficial durante as quermesses que eram realizadas com a colaboração do pequeno comércio que então existia, por exemplo, o Depósito Romeu Batalha, Empório Rocha e as olarias. Através de campanhas a Capela de São Mateus ganhou um órgão a pedal e tinha como responsáveis o casal Odilon e Antonia. Com o instrumento um primeiro coral foi formado pelos jovens José do Nascimento (Zé da Chácara); Waldomiro Eleutério da Silva (Miro); Delfim N. Barros; Manoel Barros; Eugênia N. Barros e o próprio Vantuir (Finé). A imagem do padroeiro foi doada pela família Mateo Bei, trazida por Dr. Fábio Bei quando foi celebrada uma missa em 21/09/1955.
Em 6/3/1958 o cardeal de São Paulo deu posse ao primeiro pároco na capela elevando-a a condição de paróquia passando a chamar-s Paróquia de São Matheus Apóstolo sob responsabilidade do padre Felix Jakubauskas, natural da lituânia que encontrou muitas dificuldades para manter-se na região por onde circulava com uma bicicleta enfrentando buracos. Padre Félix para se manter dava aulas de acordeom, entretanto, quem não podia pagar as aulas também participava. Quando o padre tomou posse já havia sido construída pela Cia. Irmãos Bei a casa paroquial, daí existir na igreja propagandas de imobiliária.
Na mesma época um altar de mármore foi doado a paróquia por Eugênia N. Barros num período em que apenas a Avenida Mateo Bei tinha nome oficial as demais ruas, por exemplo, a atual Antonio Previato era a rua 14; a Ângelo de Candia era a rua 15; a Luiz Botta era a 16; a Marechal Renato Paquet era a 18 e por assim em diante. Os posteamentos, segundo Vantuir eram todos de eucaliptos e apenas algumas ruas eram servidas de eletricidade pela então Cia. Light de Serviços de Eletricidade. Havia casas com energia elétricas emprestadas, mas não acintosos “gatos”, como vemos agora em alguns lugares.
A partir de então as missas todos os domingos encontrava o bairro ainda sem padaria própria e as poucas propagandas de então davam conta da existência de algumas poucas atividades. Tinha a farmácia do Moura ao lado do escritório da Cia. Irmãos Bei e ao lado de uma garagem administrada pelo Osvaldo Névola com caminhões e tratores que ainda trabalhavam na urbanização do bairro. Em 1960 ainda com a colaboração do incipiente comércio e das olarias foi construído mais um lance da paróquia ligando-a a igreja. A construção continuou dessa forma até 1992 já na gestão do Pe. Fernando Altimeyer Junior, atualmente professor universitário e casado. Foi na sua gestão que se iniciou uma nova construção para substituir a antiga igreja. Quando deixou à igreja as obras já estavam em fase de acabamento.
Após esse período novas paróquias foram fundadas na região: São Paulo Apóstolo no Jardim IV Centenário e J. Imperador; São Marcos Evangelista no Parque São Rafael; Santíssimo Sacramento na Cidade Satélite Santa Bárbara e Sagrada Face no Jardim Aricanduva entre outras espalhadas pelas comunidades.
Segundo Vantuir, foi o Nildo Gregório que fundou a primeira associaçãrio que fundou a primeira associaçespalhadas pelas comunidades.as algumas ruas eram servidas de eletricidade pela enta luta se o no bairro a União dos Moradores que tinha serviços de auto falantes onde os comerciantes faziam suas propagandas e onde todos os dias às 18h00 rezavam a hora da Ave Maria pela paróquia e a UMB. Com o tempo NIldo passou a União dos Moradores para a Associação Divulgadora A Voz da Colina, primeira experiência parcial de imprensa local e que posteriormente com o auxílio do Tenente Oscar outro ativista do bairro deu origem a Sociedade Amigos do Bairro que tinha como primeiro secretário o próprio Vantuir.
Vantuir ainda registra que em 1965 veio do Canadá o professor Jocelin Grenier Royer que com a ajuda do Padre Ary Joly, então pároco à época, que adquiriu dois terrenos na atual Rua Joaquim Gouveia Franco para a construção da sede própria da Sociedade Amigos da Cidade São Mateus onde se realizavam bailes, aulas de datilografia etc. O Padre Joly, hoje desligado da igreja e casado era muito amado pela comunidade e lutou incansavelmente pelo progresso do bairro tendo criado um serviço de atendimento médico com ambulância para o atendimento dos moradores independente dos credos religiosos. O Padre Ary também lecionou na EE Prof. Alfredo Machado Pedrosa. Ao lado da escola funcionava uma sub-delegacia de Polícia, mas não havia nenhum delegado e um sargento de nome Ferreira mais dois soldados faziam às vezes de autoridade e conciliadores em demandas familiares. Segundo Vantuir as ocorrências naquele período se resumiam as bebedeiras, brigas ou roubos de bombas de poço. NO mesmo período não havia os serviços da Sabesp e todas as residências que podiam eram servidas por poços individuais e fossas sépticas.
Por conta de escândalos com roubos de descargas em banheiros e de bombas e motores um salão próximo à igreja que era utilizado pelo Clube Atlético São Mateus foi fechado por causa de um abaixo-assinado por parte da maioria dos moradores católicos do local. Em 1965, após muita luta, iniciou-se a pavimentação da Avenida Mateo Bei e a colocação de luminárias de mercúrio e o desenvolvimento acelerou-se.
Em termos de cultura coube aos jovens ligados aos Congregados Marianos reunir as pessoas para assistirem filme no salão paroquial o que era praticamente a única diversão dominical existente no bairro, além dos jogos de várzea. Para o cinema eram trazidos os bancos da igreja para acomodar os presentes.
Seqüência dos párocos em São Mateus
Padre Félix Jakubauskas; Pe. Antonio Manoel de Castro; Pe. Ary Joly; Pe. José Moreira; Padres Luigi Valentini e Antony Sammult; Pe. Valeriano dos Santos Costa e Pe. Franco Torresi, este posteriormente administrador regional de São Mateus na gestão da prefeita Luiza Erundina; Pe. Pedro Luis Stringuini, atual bispo auxiliar de São Paulo; Pe. Fernando Altimeyer Júnior, desligado do ministério e professor universitário e o atual padre Lauro.
Sobre Vantuir de Mello (Filé):Iniciou os estudos no Colégio Arquiodicesano e foi um dos secretários do ex-cardeal de São Paulo, Dom Agnello Rossi e como estudante era atendente na Cúria Metropolitana e participou da campanha e ajuda do governo do Estado para o término das torres da Catedral da Sé, sempre ligado na fé e fiel a Igreja católica. Hoje se encontra enfermo, mas se desdobrou em nos ajudar a contar um pouco da história de São Mateus. – Publicado na Gazeta de São Mateus – ed251