Archive for junho 2007
República refém dos ricos
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República refém dos ricos
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Escrito por Léo Lince
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27-Jun-2007
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Além da popularidade do Lula, aferida em pesquisas publicadas nos jornais da semana, três coisas crescem, estas com velocidade vertiginosa, na sociedade brasileira: a lucratividade da casta financeira, a violência nas ruas e a corrupção nos altos escalões da República. A semana, para espanto e tristeza do cidadão, produziu novos emblemas da marcha ensandecida de cada um destes processos que dilaceram o tecido social e aprofunda a barbárie que nos envolve.
O fluxo de entrada de capital especulativo no Brasil aumentou, entre janeiro e abril, quase cinco vezes em comparação ao mesmo período do ano passado. O bolo, que era de 4,842 bilhões de dólares em 2006, cresceu agora para 24,147 bilhões de dólares e se tornou o principal canal de entrada da moeda americana no país. A banca privada, sempre ela, faz a festa. Toma empréstimo de curto prazo e juros mais baixos no exterior e podem aplicar tais recursos no cassino estratosférico da taxa Selic. É o famoso capital motel, que os países sérios costumam enquadrar no rigor da lei. Um dinheiro quente que entre e sai com alta rotatividade e adora se hospedar nos paraísos do rentismo e da maracutaia. Cinco jovens riquinhos da Barra da Tijuca, no Rio, espancaram “por brincadeira” e com estupidez brutal uma empregada doméstica que aguardava condução em um ponto de ônibus. Menos mal que foram presos logo, graças à iniciativa de outro trabalhador, um motorista de táxi, que anotara a placa do carro dos espancadores. Um dos riquinhos, ao chegar na delegacia, disse que logo estaria solto porque sua família, como os bancos, tinha dinheiro. O pai de outro riquinho classificou de absurda a prisão dos espancadores, pois tanta coisa pior está acontecendo. A arrogância dos endinheirados, mau exemplo que vem de cima aos borbotões, frutifica e prospera no “baixio das bestas”. No planalto central do país, aquela solidão imensa que se transformou no que se vê, segue a novela da corrupção nos altos escalões da República. O capítulo da vez é estrelado pelo antes vetusto Senado Federal, onde contracenam Renan e Roriz, dois riquíssimos ruralistas que fazem bico no câmara alta. Ambos criam porcos e vacas que, talvez por viverem em fazendas luxuosas, só podem emporcalhar e avacalhar outros lugares. Flagrado no grampo, Roriz se explicou naquela linha que só complica. Recebeu um cheque de dois milhões quando só pedira emprestado trezentos mil (devolveu o troco em espécie) para arrematar com a bagatela a “prenhez” de uma vaca premiada. O benemérito é um potentado que enriqueceu com concessões públicas na área dos transportes. Um “amigo de missa” do senador encalacrado e que também reza muito ao lado de outros políticos que lhe facilitam a “prenhez” de sua fortuna. Enquanto isso, o presidente faz cara de paisagem. Sereno como um santo de bordel, ele se afirma no pedestal sustentado nas estacas da pequena política. Seu governo, por considerar que qualquer nitidez prejudica a “governabilidade”, ostenta como vantagem o empirismo radical. Navega confortavelmente nas águas do fato consumado. E, quando o fato consumado governa o governo, são os poderosos de turno que continuam mandando. As forças opacas do mercado extrapolam de suas tamancas e avassalam o poder público, que se amesquinha na desmoralização. O rato roeu a roupa da República. A “real-poltik” resulta em renda rápida para os ricos e é repleta de riscos para o resto. A reta razão recomenda retomar a rota da rua: resgatar a República, refém dos ricos. Léo Lince é sociólogo. |
Uma das maiores do mestre
SHELTER FROM THE STORM
One of toil and blood
When blackness was a virtue
And the road was full of mud
I came in from the wilderness
A creature void of form.
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
And if I pass this way again
You can rest assured
I’ll always do my best for her
On that I give my word
In a world of steel-eyed death
And men who are fighting to be warm
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Not a word was spoke between us
There was little risk involved
Everything up to that point
Had been left unresolved
Try imagining a place
Where it’s always safe and warm
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
I was burned out from exhaustion
Buried in the hail
Poisoned in the bushes
An’ blown out on the trail
Hunted like a crocodile
Ravaged in the corn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Suddenly I turned around
And she was standin’ there
With silver bracelets on her wrists
And flowers in her hair.
She walked up to me so gracefully
And took my crown of thorns
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Now there’s a wall between us
Somethin’ there’s been lost
I took too much for granted
Got my signals crossed
Just to think that it all began
On a long-forgotten morn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Well, the deputy walks on hard nails
And the preacher rides a mount
But nothing really matters much
It’s doom alone that counts
And the one-eyed undertaker
He blows a futile horn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
I’ve heard newborn babies
Wailin’ like a mournin’ dove
And old men with broken teeth
Stranded without love
Do I understand your question, man
is it hopeless and forlorn?
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
In a little hilltop village
They gambled for my clothes
I bargained for salvation
An’ they gave me a lethal dose
I offered up my innocence
And got repaid with scorn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
Well, I’m livin’ in a foreign country
But I’m bound to cross the line
Beauty walks a razor’s edge
Someday I’ll make it mine
If I could only turn back the clock
To when God and her were born
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
Uma de labuta e sangue
Quando trevas eram uma virtude
E a estrada estava coberta de lama
Eu cheguei do ermo
Uma criatura vazia de formação
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
E se eu passar por este caminho novamente
Pode descansar sossegado
Eu sempre farei o meu melhor para ela
Nisso dou minha palavra
Em um mundo onde morte tem um olho de aço
E homens estão matando para se manter aquecidos
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Nenhuma palavra foi dita entre nós
Havia pouco risco envolvido
Tudo até aquele ponto
Foi deixado sem resolver
Tente imaginar um lugar
Onde é sempre seguro e aquecido
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Eu estava queimado por exaustão
E enterrado no granizo
Envenenado pelos arbustos
E apagado na trilha
Caçado por crocodilos
Devorado pelo milho
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
De repente eu me viro
E ela está ali de pé
Com braceletes de prata nos seus pulsos
E flores em seu cabelo
Ela se chegou a mim tão graciosamente
E retirou minha coroa de espinhos
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Agora existe uma parede entre nós
Algo se perdeu
Fiquei mal acostumado demais
Fiquei com os sinais cruzados
Só de pensar que tudo começou
Em uma longa esquecida manhã
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Bem, o xerife anda sobre pregos duros
E o pregador cavalga um morro
Mas nada realmente importa muito
Somente a ruína é que conta
E o papa-defuntos caolho
Que sopra um corno fútil
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Eu já ouvi bebês recém nascidos
Chorando como um pombo lamentando
E anciões com dentes quebrados
Largados sem amor
Se eu entendo a pergunta, cara
Será sem esperança ou desamparado?
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Em um pequeno vilarejo no topo do morro
Eles apostam por minhas roupas
Eu negociei minha salvação
E eles me deram uma dose letal
Eu ofereci minha inocência
E fui pago com escárnio
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Bem, estou morando num país estrangeiro
Mas qualquer dia cruzo a fronteira
A beleza caminha por um fio de navalha
Algum dia o farei meu
Se eu pudesse voltar o relógio
Para quando Deus e ela nasceram
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Falsificações: onde foi que erramos?
Assembléia popular aprova forma de regularização do Jd. da Conquista


