Jardim Helena e Augusta continuam sem atendimento
Antonio Cursino Sobrinho é daquele tipo de liderança imprescindível, tamanho é o amor que dedica ao bairro e distrito onde mora. São raros, também. Não se encontra com facilidade lideranças populares que dedicam os melhores anos de suas vidas para tentar minorar sofrimentos e melhorar as condições de vida da população.
No terceiro mandato como presidente da Sociedade Amigos do Jardim Helena e Augusta em São Mateus, Cursino seguiu o exemplo deixado por outro antigo dirigente também dedicado a comunidade.
Para se ter uma idéia do que estamos falando são atualmente mais de 180 micros reivindicações feitas aos órgãos públicos através de ofícios ou através dos mecanismos próprios que os órgãos às vezes dispõem para atender as mais variadas demandas da sua comunidade.
Por tratar-se de uma região periférica com sinais evidentes de necessidade de se desenvolver mais, as carências são quase que permanentes e de toda ordem. A liderança disponibilizou a reportagem um dossiê completo com número de solicitações, datas, os assuntos envolvidos e, nos casos em que a reivindicação ter tido sucesso as datas de sua conclusão. Nesse sentido, apesar de não percebido pela comunidade, trocas de lâmpadas de iluminação pública, capinação de mato, operações de tapa buracos, limpezas e troca de tampas de bueiros, limpeza manual de terrenos foi conseguida via sua insistência e organização nos pedidos.
Entretanto, como era previsível, nem tudo são flores na vida da liderança. As reivindicações não atendidas também são em grande quantidade. Antonio Cursino, com sua experiência já percebeu que simples e pequenas intervenções têm um maior número de atendimento, embora, nunca seja com a agilidade que a comunidade precisa. As médias e grandes demandas ficam patinando no tempo e às vezes levam anos sem uma solução convincente.
As dificuldades, entretanto não são suficientes para baixar o moral e a guarda desse presidente de entidade. “Às vezes nos abatemos com a demora e em algumas ocasiões o pouco caso que o poder público faz para as necessidades do povo, entretanto, não dá para esmorecer e continuamos na luta”, afirma.
Persistência parece ser o lema chave do presidente da Sociedade Amigos do Jardim Helena e Augusta. Vejamos.
Em agosto de 2005, a sociedade amigos enviou ofício ao gabinete do subprefeito em São Mateus pedindo uma vistoria para verificar a solução para um problema causado nas ruas Antonio Coutinho esquina com Lorenzo Penna; esquina com Almeida Falcão, João Carlos Ferreira e Floriano Miranda diante do rebaixamento do nível carroçável e que vem causando prejuízos aos motoristas que pelas ruas trafegam. O desnível acaba afetando escapamentos, suspensão e assoalhos dos veículos. O local também tem sido palco de diversos assaltos em virtude dos motoristas terem que reduzir em muito a velocidade para danificar menos os seus carros. É neste momento que são abordados por ladrões.
Diante do pedido para uma situação grave nenhuma solução ainda foi providenciada pela prefeitura.
Um outro caso que vem causando sucessivo desconforto e prejuízo aos moradores se refere à necessidade visível de se substituir a tubulação do Córrego Mombaça, na altura da Rua Pedro da Esperança, dos números 214 ao 226, no Jardim Augusta por uma tubulação de diâmetro maior. Enquanto não se resolve o local sofre com constantes enchentes alagando as casas próximas. O assunto em questão já foi, inclusive, motivo de reportagem neste jornal na primeira quinzena de janeiro de 2005. Dois anos e meio depois e nada foi resolvido.
No ofício mais recente de fevereiro de 2007 foi distribuída cópia para o secretário de Siurb, para o subprefeito de São Mateus, Clóvis Luiz Chaves e para o então secretário de coordenação das subprefeituras, Walter Feldmann. Respostas? Até o momento nenhuma.
Outro ofício no mesmo mês de novo para Walter Feldmann e Andréa Matarazzo, secretário das subprefeituras solicitava a ampliação da rede de iluminação pública em um determinado trecho onde é grande o movimento de pedestres e alunos de três escolas locais: a EE Jardim Iguatemi; EMEF Joaquim Osório Duque Estrada e a EMEF Benedito Montenegro. O referido trecho é também a única alternativa para os motoristas saírem do congestionamento da Avenida Ragueb Chohfi naquele pedaço, entre as ruas Confederação dos Tamoios e a Rua Francisco Melo Pimenta. Conclusão: até a realização desta reportagem o trecho continuava às escuras e já se transformou em palco de assaltos e outros problemas.
Cento e oitante reivindicações depois e as dificuldades para que elas sejam resolvidas transformam Antonio Cursino em um testemunho atual de como são tratadas as demandas das comunidades nas periferias. Sorte da comunidade que ainda conta com a persistência do presidente da entidade, talvez ele necessite apenas de um envolvimento maior da população nas suas lutas. Talvez, assim as soluções venham mais rapidamente.
Publicado na Gazeta de São Mateus, ed. 243, maio de 2007
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