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Depois de sete anos a escola técnica na Fazenda da Juta

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No último dia 23, as lideranças reunidas na Associação Gestora Fazenda da Juta em companhia de diretores do Centro Paula Souza vistoriaram as obras da escola técnica na região, acompanhadas de um engenheiro que mostrou todas as dependências.

Durante a visita a direção do Centro Paula Souza explicou que o término da obra está previsto para o mês de março; que os equipamentos da escola, atualmente guardados em uma escola do Tatuapé, serão instalados entre abril e maio e que em junho abre as inscrições para os cursos de técnico de Informática, de Alimentação para Indústria e o de Vendas e Gestão de Negócios, que serão ministrado nos períodos da tarde e noite. E mais, na parte da manhã a escola oferecerá cursos rápidos de atualização e reciclagem para recolocação de mão-de-obra desempregada, independente do grau de instrução e idade.

Os interessados nos cursos regulares devem estar cursando o 2º ou o 3º ano do Ensino Médio. Sem limitações de idade. E o melhor, os cursos são gratuitos e a escola pretende atender até 1200 pessoas nos três períodos.

As informações também foram confirmadas por Maria Bezerra de Menezes, da Associação Gestora Fazenda da Juta. A escola técnica na Fazenda da Juta é fruto de uma luta que já dura sete anos. Mais conhecida como Socorro, Maria Bezerra concedeu entrevista em companhia de Norma Lûcia Marchesine e Delfino Rodrigues Porto (Décio).

Até dois anos antes, eles eram parte de uma comissão que se institucionalizou e se transformou na atual associação que tem ajudado a organizar as demandas das pessoas que moram nos conjuntos habitacionais do CDHU que compreende a Fazenda da Juta.

Durante todo esse tempo a associação tem mantido vigilância e encaminhado às demandas pela instalação de equipamentos sociais públicos do estado, do município e até do governo federal nas áreas reservadas para isso.

É daí, desde o governo anterior do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi aprovada a escola técnica no local. A pedra fundamental da obra, segundo Delfino Rodrigues Porto, foi colocada no dia 01/05/2001. “Fechamos a aprovação da obra com o então ministro da Educação, Paulo Renato, mas, enquanto tramitava, mudou o governo com a eleição do atual presidente e a obra ficou parada durante todo esse tempo até o ano passado, quando então foi retomada no período eleitoral”, explica Socorro.

Durante esse tempo os jovens de toda a região ficaram sem mais essa opção de escola e até mesmo a empreiteira que ganhou a licitação e iria fazer a obra abriu falência, informou Socorro.

O que mais causou estranheza foi o fato de que grande parte dos recursos para a instalação da escola viria do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, com um pequeno aporte do Ministério da Educação.

Durante esses quatro anos em que a obra ficou paralisada, a associação, junto com outros movimentos manteve a pressão para a conclusão da escola, a ponto de recentemente poderem dar boas notícias.

O grupo que visitou as dependências da escola estaria realizando (durante o fechamento desta edição) uma reunião na Fazenda da Juta para aproximação da direção da escola e do Centro Paula Souza com a comunidade. A idéia das lideranças da Associação Gestores da Juta é a de propor uma gestão conjunta da escola. Com isso julga aproximar os interesses facilitando o desenvolvimento da relação escola e clientela.

 Fazenda da Juta tem outras demandas

 Se a escola técnica está às vésperas de se tornar realidade após uma luta de sete anos, o mesmo não se pode dizer de outras reivindicações que estão em curso. Segundo Socorro o CDHU deixou intacta algumas áreas reservadas para a instalação de equipamentos públicos conforme determina o projeto. Por essa razão estão pressionando a secretaria municipal de Educação localmente para a construção de duas creches, em função da demanda ter crescido muito.

Outra demanda que parou foi à instalação de um Centro de Integração da Cidadania – CIC, um equipamento e espaço público que presta alguns serviços como o Poupatempo, mas que vai mais além sendo um espaço aberto para a organização da própria comunidade. “Primeiro houve um empecilho do secretário municipal de meio ambiente que achava que a área para onde estava sendo reivindicada seria área de preservação. Conseguimos provar que não era”, esclarece Socorro. Entretanto, parece que o CIC não está mais nos planos atuais da administração municipal.

Outro problema não resolvido é a instalação de uma Fábrica de Cultura que se não for construída, levará a comunidade a reivindicar o espaço para a construção de um AMA. “O PSF local não consegue dar conta da demanda que cresce assustadoramente. Precisamos de um ambulatório aqui e é por isso que iremos lutar por isso, caso a Fábrica de Cultura não saia”, dizem.

As lideranças aparentam ter uma boa relação com a Gerência da Ação Institucional do CDHU que cuida de ajudar a definir a utilização dessas áreas remanescentes. Ainda não desistiram da Fábrica de Cultura que, segundo Delfino Rodrigues Porto(Décio) tem algumas especificidades.

Por exemplo, elas não podem ser instaladas em áreas onde tenha algum ceu  – centro educacional unificado próximo; um acordo firmado entre o atual prefeito José Serra, o secretário municipal de Educação, Pinotti e o então governador Geraldo Alckimin.

Pois bem; as lideranças contestam essa proximidade com o ceu, dizendo que ela não existe. “Para se chegar a um ceu as pessoas tem que recorrer a diversos tipos de transporte. Não estamos próximo de céu estamos bem longe”, protesta Décio.

As negociações continuam e enquanto as indefinições persistem a Fazenda da Juta tem outras emergências. É o caso da avenida Agostinho Lubete onde os carros estão transitando em alta velocidade com destino a Santo André. Já ocorreram vários acidentes graves incluindo atropelamentos e as lideranças já encaminharam pedidos de providência para a subprefeitura de Vila Prudente que até agora não deu respostas. (JMN)

 

 

Written by Página Leste

8 de março de 2007 às 16:23

Publicado em Notícias e política

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