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Entidade ocupa CDM sem estrutura para atender crianças e adolescentes

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Fundada em 1998 a Associação da Comunidade Mulheres de Luta que hoje congrega 12 ativistas ocupa desde 8 de janeiro o CDM Jardim Vila Formosa, no Carraozinho aonde vem tentando desenvolver melhor os trabalhos comunitários, assistenciais e educativos a que se propôs durante a sua fundação.
Segundo a sua presidente, Marli Nascimento Paula a entidade já tem sete anos de atuação no Carraozinho. “Estamos durante todo esse período tentando ajudar a comunidade naquilo que for possível. Além de continuarmos a prestar os serviços que já existiam, atualmente estamos desenvolvendo em convênio com o Ministério dos Esportes o projeto Segundo Tempo com crianças e adolescentes em conjunto com a Acetel, uma outra entidade da Cidade Tiradentes”, esclarece.
Mais por conta da necessidade de espaço para o desenvolvimento do projeto, do que por outra razão, a entidade se instalou no CDM que a exemplo dos vários outros equipamentos do mesmo tipo na cidade estão ociosos e com as instalações deterioradas.
Como o CDM é usado de forma intensa apenas aos finais de semana quando os times de futebol amador disputam suas partidas, invariavelmente durante a semana, o espaço era até então apenas palco para desocupados. Com a chegada ao local da associação Mulheres em Luta para o desenvolvimento do projeto a situação melhorou. É a comunidade exercitando a cidadania ocupando adequadamente os espaços públicos.
Entretanto, nem tudo são flores. Segundo a reportagem pode constatar a situação do CDM é muito precária e inadequada ao desenvolvimento do projeto, no que concorda Marli Nascimento: “Estamos tentando chamar a atenção das autoridades para a precariedade do espaço. Não temos portão que possa separa o espaço interno do externo e do outro lado também está aberto facilitando o acesso de qualquer um. Ficamos preocupados, pois temos responsabilidades com as centenas de crianças que participam conosco”, esclarece.
O local já foi vistoriado pelo coordenador de Esporte da subprefeitura de São Mateus, Cobra, como é mais conhecido. Durante a visita entre outras reivindicações foi solicitada a retirada do entulho o que até a feitura da reportagem não havia ocorrido.
Para Marli Nascimento o mais urgente são as reformas que a Prefeitura poderia fazer no local, visto que o CDM é de sua responsabilidade e que poderia dar uma melhor aparência e funcionalidade ao local. “Quanto ao projeto que desenvolvemos com as crianças e adolescentes; caso houvesse mais colaboração da Prefeitura e do Estado poderíamos ampliar o atendimento tirando mais crianças e adolescentes das ruas nos períodos fora de aula”, insiste.
Cozinha: urgente
Um espaço para a cozinha está entre as necessidades mais urgentes, afirma Marli. “Estamos nos entendendo com o pessoal que utiliza o espaço aos fins de semana para que façam um vestiário em outro local, pois precisamos ter este espaço (onde se realizava a entrevista) que é apropriado para eventualmente colocar uma cozinha para alimentar as crianças”. A alimentação é uma das exigências do projeto. Atualmente a refeição é preparada na sede da entidade, distante do CDM e depois transportadas até o local.
Uma das poucas entidades com ação intensa atualmente, a Mulheres em Luta está sempre correndo atrás de recursos para manter os trabalhos de educação de jovens e adultos, dos programas de qualificação; de leite e com os idosos. Além das ativistas os educadores e monitores dos projetos os trabalhos contam com a ajuda de alguns poucos voluntários. Quanto aos recursos eles são escassos sempre. “Aceitamos toda e qualquer doação que nos possa ser útil”, registra Marli, “Com parte das doações promovemos bazares, bingos e leilões para gerar recursos que possam ajudar a custear nossas despesas que são muitas”, finaliza. Mesmo assim, apesar das dificuldades, a entidade presidida pela Marly quer ampliar até março o atendimento para 500 crianças no projeto Segundo Tempo.
O que é o programa
O Segundo Tempo é um programa idealizado pelo Ministério do Esporte, destinado a democratizar o acesso à prática esportiva, por meio de atividades esportivas e de lazer realizadas no contra-turno escolar. Tem a finalidade de colaborar para a inclusão social, bem-estar físico, promoção da saúde e desenvolvimento intelectual e humano, e assegurar o exercício da cidadania.
O programa caracteriza-se pelo acesso a diversas atividades e modalidades esportivas (individuais e coletivas) e ações complementares, desenvolvidas em espaços físicos da escola ou em espaços comunitários, tendo como enfoque principal o esporte educacional.
O público-alvo prioritário são crianças, adolescentes e jovens matriculados no Ensino Fundamental e Médio dos estabelecimentos públicos de educação no Brasil localizados em áreas de risco social, bem como aqueles que estão fora da escola, de forma a oportunizar sua inclusão no ensino formal.
O encontro com o pitbull
Sem estrutura e sem a segurança reclamada pela presidente da entidade, dias antes da reportagem o campo do CDM foi palco de um incidente que poderia ter resultado desastroso. Segundo Marly um cachorro da marca pitbull invadiu o campo de futebol onde estavam em atividades cerca de 50 crianças. Agressivo, como parece ser da sua natureza, o cachorro estorou duas bolas à dentadas e colocou as crianças em pânico. A situação só não foi pior em função da serenidade do professor de educação física que afastou as crianças para uma das laterais do campo e com ajuda de outros dois adultos presentes evitaram um eventual ataque dos cachorros. A situação só foi contornada e com muita dificuldade 20 minutos depois com a presença da polícia.
Ousadia
“Somos ousados por fazer esse trabalho aqui. Sem estrutura e sem segurança, os cdm´s estão abandonados. A população que continua pagando seus impostos merece mais atenção e as crianças e jovens precisam desse espaço de lazer e para se envolverem com bons projetos ao invés da criminalidade”, afirma Marly que apesar disso ainda se diz feliz quando encontra gente que oferecem sua ajuda porque acreditam no trabalho.
Para quem quiser contribuir a Associação da Comunidade Mulheres da Luta fica na Rua Manuel Veloso da Costa, 46, no Jd. Vila Carrão, fone: 6753 5911.
(Publicado no Gazeta de São Mateus – ed 237 – fevereiro/2007)

Written by Página Leste

24 de fevereiro de 2007 às 12:45

Publicado em Organizações

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