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Passos Camargos voltará para o Teatro?

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Por falta de tempo o autor, ator, diretor e produtor teatral Passos Camargos está desaparecido dos palcos e em entrevista nos mostra que se trata de uma nova fase para aquele ativista cultural que durante parte dos anos 70, 80 e 90 teve uma intensa atuação que incluía a periferia da cidade de São Paulo. Passos também viajou intensamente o Brasil se apresentando sozinho ou acompanhado. Produziu suas próprias peças; encenou peças infantis, atuou na vanguarda tantos em termos estéticos e conceituais e aceitou desafios quando o mercado era ainda mais difícil. Hoje, atuando empresário no ramo das comunicações, apesar de não estar na linha de frente, presta um importante serviço de divulgação da cultura nas suas várias expressões.

Provocado pela entrevista, confidenciou que não queria falar muito do passado e que tem planos futuros. Provocador, deixou no ar uma promessa de ainda retomar uma ação mais ativa no setor e até uma eventual candidatura a um cargo eletivo.

Acompanhe parte da entrevista concedida a J.de Mendonça Neto

E&A – O senhor já vem editando há seis anos, com reconhecido sucesso, o jornal segmentado Primeiro Lance destinado à categoria dos leiloeiros e afins em todo o país. Como chegou a esse produto? O senhor ainda tem alguma ligação com a cultura onde militou durante anos?

PC – Tomei conhecimento do mercado dos leilões ao me relacionar com Vanilda Cândido, do extinto Diário Popular, um jornal tradicional do Estado de São Paulo.  Na época ela visitava os leiloeiros, então eu a acompanhei algumas vezes, quando fui convidado por um operador do setor para editar um jornal de leilões. Achei interessante e aceitei o desafio, mas infelizmente não deu certo. Frustrado pela não realização da edição do suposto jornal, criamos uma nova logomarca (Jornal Primeiro Lance); lançamos a idéia no mercado e a aceitação por parte dos profissionais da área foi imediata. Daí pra frente com muito trabalho e persistência passamos a ser o veículo de comunicação da classe dos Leiloeiros Oficiais. Durante esse período organizamos e lideramos congressos nacionais e internacionais unindo a categoria que hoje está fortalecida. Ainda reinaguramos a Associação Brasileira de Leiloeiros – ABL; colaboramos com os sindicatos da categoria nos diversos estados brasileiros e com a Associación Americana de Rematadores, Corredores Inmobiliários Y Balanceadores, ou seja, levamos o Jornal Primeiro Lance para além das fronteiras o que requer muito empenho, contudo não abandonei por completo as Artes Cênicas. Continuo escrevendo e produzindo e, logo, estaremos de volta aos palcos.Virão surpresas por aí.

E&A – O senhor já havia tido experiências anteriores com a confecção de jornal, tendo em vista o resultado com o Primeiro Lance num tempo relativamente pequeno? Como foi essa experiência?

PC –

Por conta da minha atuação na cultural, principalmente no teatro, tive várias oportunidades de contribuir na edição de vários jornais e de participar escrevendo crônicas e críticas sobre o Teatro Brasileiro a convite de outros jornais onde tive a oportunidade de apoiar e divulgar o artista e o teatro no Brasil. Também lancei o meu primeiro jornal, Argumento, em 1990, dedicado à cultura, mas as dificuldades na captação de anúncios para um veículo de apoio a cultura no Brasil é impressionante. Diferentemente de várias cidades desenvolvidas na Europa, aqui os empresários não têm interesse neste segmento de mercado. Parei com esse veículo e comecei a participar do Jornal Bem Feito, ao lado do jornalista Gilberto Lobato. Conseguimos, mais uma vez, colaborar com a classe artística, com artistas desconhecidos do grande público.

Vendo o que vi e que continuo vendo nesse segmento e o talento de muitos dos nossos artistas nos palcos desse imenso e tão heterogêneo país continuo incomodado. Sempre que posso divulgo a nossa cultura, o nosso folclore, até poque muito do que sou hoje como profissional, editor, ator, diretor e autor teatral devo a minha carreira artística que me levou para fora de São Paulo, percorrendo diversos Estados e diversos países. Naturalmente, o sucesso do jornal Primeiro Lance, também se deve e muito a essa experiência com a cultura, essa soma de valores e conhecimentos.

E&A –

Pelo que o senhor diz essas experiências ocorreram por conta da sua atuação na área cultural, notadamente no teatro. Quando e como se iniciou essa trajetória de ator e que tipos de ação o senhor desenvolveu na Dramaturgia?

PC –

Comecei no Teatro em 1977, ainda jovem, na faculdade Pontifícia Universidade Católica – PUC, em São Paulo. Trabalhei com vários artistas, mas como homenagem a um dos grandes queria lembrar aqui o Jaime Barcelos. Montei diversas produções de autores desconhecidos, também fiz teatro infantil para aumentar a divulgação e o conhecimento dos nossos expectadores sobre a cultura brasileira. Enfim, para encurtar uma longa história fiz muitos trabalhos e a última montagem foi a de um texto de minha autoria chamado "Os Paredões de Mármore", que inclusive ficou em cartaz no Teatro Martins Penna, na zona Leste de São Paulo. Atualmente estou sem tempo, mas tenho outras peças escritas e inéditas que espero sejam montadas em breve.

 E&A – Quais as principais dificuldades que o senhor encontrava para produzir cultura num país como este nosso e, a seu ver, quais são atualmente, caso elas existam  as dificuldades para os artistas como o senhor foi um dia?

PC – Para não me aprofundar muito nesse aspecto diria que não temos no Brasil, nenhum tipo de apoio cultural para artistas iniciantes de forma mais continuada e sistemática. Tratados como amadores e somando-se as dificuldades de conhecimentos de produção, sozinho o artista se vê abandonado à deriva da própria sorte. Na maioria das vezes, o talento existe, entretanto é preciso reunir forças interiores para sobreviver da profissão, o conhecimento do uso da mídia após criar uma obra.

E&A –

Com essa evidente falta de tempo devido as suas atividades atuais, o senhor ainda consegue ter alguma atuação mais objetiva na área cultura, além dessa vaga possibilidade de estrear outras peças num futuro incerto? Como ela se dá?

PC –

Apesar da falta de tempo para uma ação mais intensa na área o nosso compromisso com a cultura nunca acabará. Hoje com o jornal Primeiro Lance, consigo grande parte do que sempre sonhei, ou seja, apoiar despretensiosamente, mas de forma efetiva a cultura brasileira. Divulgo e ajudo o mais que posso nas atuais circunstâncias.

E&A –

Gostaria de insistir a questão: alguma possibilidade do senhor voltar a ter uma atuação mais comprometida com a arte e a cultura, além dessa importante divulgação que o seu jornal proporciona?

PC – Hoje, pretendo continuar produzindo teatro, música e literatura no campo da edição. Pretendo também lançar um livro para contribuir com a história do teatro mundial e brasileiro. Tenho aproveitado as viagens que faço a trabalho para também ver muito teatro.

Agora, embora reconheça que vá aguçar ainda mais a sua curiosidade, não vou poder lhe dar por enquanto maiores detalhes e conto com a sua compreensão. Fui convidado, mas ainda não me decidi, a assessorar um jovem senador da República com o qual tenho uma boa relação profissional, além de muitas afinidades de propósitos, cada um à sua maneira com a cultura. Essa situação já vai me permitir um trabalho político cultural mais intenso. Entretanto, não acaba ai. A partir desse convite, existe uma intenção de que o meu nome seja lançado a uma candidatura de vereador para labutar principalmente na área da cultura o que muito me honra. Entretanto ainda não tomei nenhuma decisão, preciso analisar uma série de circunstâncias, falar com companheiros leais com os quais me relaciono. Enfim, tudo isso é futuro. Seria desafiador poder fazer mais e melhor, mas isso é futuro. Estou feliz com que faço e já fiz.

E&A –

Seria uma terceira etapa da sua ação: assessor um senador e tornar-se candidato a um cargo eletivo?

PC – Conforme lhe pedi, não posso falar mais sobre isso, entretanto a vida para ser vivida é uma seqüência de desafios a serem superados, de planejamentos também é claro, mas também de algumas surpresas. Talvez você tenha razão, mas como te pedi, não posso falar mais sobre isso, mesmo porque não tomei nenhuma decisão.

Written by Página Leste

18 de dezembro de 2006 às 10:16

Publicado em Entretenimento

Uma resposta

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  1. Bom. Muito bom, parabéns pelo trabalho e eficiência. Beijos…

    Avatar de janete lussani

    janete lussani

    19 de março de 2012 at 19:14


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