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Jornalista aponta conflito entre opinião e informação

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Para Paulo Henrique a imprensa brasileira passa por uma crise de qualidade. Entre outras causas hoje não existe mais proletários no jornalismo, só mauricinhos. Jornalistas que gostam de banqueiros.
 
O diretor do site Conversa Afiada, jornalista Paulo Henrique Amorim, afirmou hoje (13/12) que a imprensa brasileira passa por uma crise de qualidade, que envolve uma confusão entre os conceitos de opinião e informação. "Há uma total promiscuidade entre opinião e informação. Hoje, só não há opinião na sessão de horóscopo. Ela está até no obituário", observou ele, durante o seminário "Mídia nas Eleições 2006". O encontro foi realizado pela Comissão de Ciência e Tecnologia com o apoio das comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Legislação Participativa.
De acordo com Amorim, a situação não é nova. "O presidente Juscelino Kubitschek disse que um dos motivos de trazer a capital para Brasília foi porque não agüentava mais ver a Rádio Globo dar o microfone por uma hora ao Carlos Lacerda para pedir seu impeachment", lembrou.
O jornalista sustentou que a Rede Globo trabalhou contra o presidente João Goulart, o governador do Rio Leonel Brizola e sempre foi contra todos os trabalhistas. Na sua opinião, isso é conseqüência, em parte, de hoje não existir mais proletários no jornalismo. "Só tem mauricinho", afirmou. "Jornalista hoje gosta é de banqueiro."
Circulação e pluralismo
De acordo com dados apresentados por Amorim, a imprensa escrita perdeu 10% de circulação nos últimos dez anos. "Apesar dessa perda, a mídia mantém o poder de gerar crises", afirmou, citando declarações do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.
Na opinião de Amorim, a tendência com a crise é que os jornais fiquem menos pluralistas. "Com a decadência, eles se tornam mais fiéis a sua clientela", analisou. O jornalista citou pesquisa da Universidade de Harvard demonstrando que, com a queda na circulação, também diminui a diversidade de opiniões nos grandes jornais.
Internet
A boa notícia, para Paulo Henrique Amorim, é que a internet tem relevância política cada vez maior no Brasil. Segundo observou, os blogs daqui estão cada vez mais independentes, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, onde esses sites surgiram das rádios e se tornaram conservadores.
Atualmente, de acordo com dados apresentados por ele, os brasileiros já gastam 20 horas por mês na internet. Os usuários já seriam 20 milhões, com alcance cada vez maior na classe C. Somente neste ano, destacou Amorim, foram vendidos 380 mil computadores populares. O diretor do Conversa Afiada também tem expectativas de que o celular torne-se cada vez mais parecido com um computador e um aliado na democratização da informação.
Legenda da foto:  O diretor da secom, William França, e o jornalista Paulo Henrique Amorim.

Written by Página Leste

13 de dezembro de 2006 às 22:43

Publicado em Comunicação

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