Archive for dezembro 2006
Passos Camargos voltará para o Teatro?
Por falta de tempo o autor, ator, diretor e produtor teatral Passos Camargos está desaparecido dos palcos e em entrevista nos mostra que se trata de uma nova fase para aquele ativista cultural que durante parte dos anos 70, 80 e 90 teve uma intensa atuação que incluía a periferia da cidade de São Paulo. Passos também viajou intensamente o Brasil se apresentando sozinho ou acompanhado. Produziu suas próprias peças; encenou peças infantis, atuou na vanguarda tantos em termos estéticos e conceituais e aceitou desafios quando o mercado era ainda mais difícil. Hoje, atuando empresário no ramo das comunicações, apesar de não estar na linha de frente, presta um importante serviço de divulgação da cultura nas suas várias expressões.
Provocado pela entrevista, confidenciou que não queria falar muito do passado e que tem planos futuros. Provocador, deixou no ar uma promessa de ainda retomar uma ação mais ativa no setor e até uma eventual candidatura a um cargo eletivo.
Acompanhe parte da entrevista concedida a J.de Mendonça Neto
E&A – O senhor já vem editando há seis anos, com reconhecido sucesso, o jornal segmentado Primeiro Lance destinado à categoria dos leiloeiros e afins em todo o país. Como chegou a esse produto? O senhor ainda tem alguma ligação com a cultura onde militou durante anos?
PC – Tomei conhecimento do mercado dos leilões ao me relacionar com Vanilda Cândido, do extinto Diário Popular, um jornal tradicional do Estado de São Paulo. Na época ela visitava os leiloeiros, então eu a acompanhei algumas vezes, quando fui convidado por um operador do setor para editar um jornal de leilões. Achei interessante e aceitei o desafio, mas infelizmente não deu certo. Frustrado pela não realização da edição do suposto jornal, criamos uma nova logomarca (Jornal Primeiro Lance); lançamos a idéia no mercado e a aceitação por parte dos profissionais da área foi imediata. Daí pra frente com muito trabalho e persistência passamos a ser o veículo de comunicação da classe dos Leiloeiros Oficiais. Durante esse período organizamos e lideramos congressos nacionais e internacionais unindo a categoria que hoje está fortalecida. Ainda reinaguramos a Associação Brasileira de Leiloeiros – ABL; colaboramos com os sindicatos da categoria nos diversos estados brasileiros e com a Associación Americana de Rematadores, Corredores Inmobiliários Y Balanceadores, ou seja, levamos o Jornal Primeiro Lance para além das fronteiras o que requer muito empenho, contudo não abandonei por completo as Artes Cênicas. Continuo escrevendo e produzindo e, logo, estaremos de volta aos palcos.Virão surpresas por aí.
E&A – O senhor já havia tido experiências anteriores com a confecção de jornal, tendo em vista o resultado com o Primeiro Lance num tempo relativamente pequeno? Como foi essa experiência?
PC –
Por conta da minha atuação na cultural, principalmente no teatro, tive várias oportunidades de contribuir na edição de vários jornais e de participar escrevendo crônicas e críticas sobre o Teatro Brasileiro a convite de outros jornais onde tive a oportunidade de apoiar e divulgar o artista e o teatro no Brasil. Também lancei o meu primeiro jornal, Argumento, em 1990, dedicado à cultura, mas as dificuldades na captação de anúncios para um veículo de apoio a cultura no Brasil é impressionante. Diferentemente de várias cidades desenvolvidas na Europa, aqui os empresários não têm interesse neste segmento de mercado. Parei com esse veículo e comecei a participar do Jornal Bem Feito, ao lado do jornalista Gilberto Lobato. Conseguimos, mais uma vez, colaborar com a classe artística, com artistas desconhecidos do grande público.
Vendo o que vi e que continuo vendo nesse segmento e o talento de muitos dos nossos artistas nos palcos desse imenso e tão heterogêneo país continuo incomodado. Sempre que posso divulgo a nossa cultura, o nosso folclore, até poque muito do que sou hoje como profissional, editor, ator, diretor e autor teatral devo a minha carreira artística que me levou para fora de São Paulo, percorrendo diversos Estados e diversos países. Naturalmente, o sucesso do jornal Primeiro Lance, também se deve e muito a essa experiência com a cultura, essa soma de valores e conhecimentos.
E&A –
Pelo que o senhor diz essas experiências ocorreram por conta da sua atuação na área cultural, notadamente no teatro. Quando e como se iniciou essa trajetória de ator e que tipos de ação o senhor desenvolveu na Dramaturgia?
PC –
Comecei no Teatro em 1977, ainda jovem, na faculdade Pontifícia Universidade Católica – PUC, em São Paulo. Trabalhei com vários artistas, mas como homenagem a um dos grandes queria lembrar aqui o Jaime Barcelos. Montei diversas produções de autores desconhecidos, também fiz teatro infantil para aumentar a divulgação e o conhecimento dos nossos expectadores sobre a cultura brasileira. Enfim, para encurtar uma longa história fiz muitos trabalhos e a última montagem foi a de um texto de minha autoria chamado "Os Paredões de Mármore", que inclusive ficou em cartaz no Teatro Martins Penna, na zona Leste de São Paulo. Atualmente estou sem tempo, mas tenho outras peças escritas e inéditas que espero sejam montadas em breve.
E&A – Quais as principais dificuldades que o senhor encontrava para produzir cultura num país como este nosso e, a seu ver, quais são atualmente, caso elas existam as dificuldades para os artistas como o senhor foi um dia?
PC – Para não me aprofundar muito nesse aspecto diria que não temos no Brasil, nenhum tipo de apoio cultural para artistas iniciantes de forma mais continuada e sistemática. Tratados como amadores e somando-se as dificuldades de conhecimentos de produção, sozinho o artista se vê abandonado à deriva da própria sorte. Na maioria das vezes, o talento existe, entretanto é preciso reunir forças interiores para sobreviver da profissão, o conhecimento do uso da mídia após criar uma obra.
E&A –
Com essa evidente falta de tempo devido as suas atividades atuais, o senhor ainda consegue ter alguma atuação mais objetiva na área cultura, além dessa vaga possibilidade de estrear outras peças num futuro incerto? Como ela se dá?
PC –
Apesar da falta de tempo para uma ação mais intensa na área o nosso compromisso com a cultura nunca acabará. Hoje com o jornal Primeiro Lance, consigo grande parte do que sempre sonhei, ou seja, apoiar despretensiosamente, mas de forma efetiva a cultura brasileira. Divulgo e ajudo o mais que posso nas atuais circunstâncias.
E&A –
Gostaria de insistir a questão: alguma possibilidade do senhor voltar a ter uma atuação mais comprometida com a arte e a cultura, além dessa importante divulgação que o seu jornal proporciona?
PC – Hoje, pretendo continuar produzindo teatro, música e literatura no campo da edição. Pretendo também lançar um livro para contribuir com a história do teatro mundial e brasileiro. Tenho aproveitado as viagens que faço a trabalho para também ver muito teatro.
Agora, embora reconheça que vá aguçar ainda mais a sua curiosidade, não vou poder lhe dar por enquanto maiores detalhes e conto com a sua compreensão. Fui convidado, mas ainda não me decidi, a assessorar um jovem senador da República com o qual tenho uma boa relação profissional, além de muitas afinidades de propósitos, cada um à sua maneira com a cultura. Essa situação já vai me permitir um trabalho político cultural mais intenso. Entretanto, não acaba ai. A partir desse convite, existe uma intenção de que o meu nome seja lançado a uma candidatura de vereador para labutar principalmente na área da cultura o que muito me honra. Entretanto ainda não tomei nenhuma decisão, preciso analisar uma série de circunstâncias, falar com companheiros leais com os quais me relaciono. Enfim, tudo isso é futuro. Seria desafiador poder fazer mais e melhor, mas isso é futuro. Estou feliz com que faço e já fiz.
E&A –
Seria uma terceira etapa da sua ação: assessor um senador e tornar-se candidato a um cargo eletivo?
PC – Conforme lhe pedi, não posso falar mais sobre isso, entretanto a vida para ser vivida é uma seqüência de desafios a serem superados, de planejamentos também é claro, mas também de algumas surpresas. Talvez você tenha razão, mas como te pedi, não posso falar mais sobre isso, mesmo porque não tomei nenhuma decisão.
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População se mobiliza para manter piscinão de Guaianases
A continuidade da operação do Piscinão Luiz Matheus, foi objeto da reivindicação dos moradores de Guaianases, durante ato público promovido pelo Diretório Zonal do PT com apoio dos vereadores petistas Beto Custódio e Senival e do deputado estadual Adriano Diogo, dia 13 de dezembro em frente à subprefeitura de Guaianases.
Antes de serem recebidos em comissão pelo subprefeito Eduardo Carlos Felipe e demais assessores, as lideranças expressavam em público suas preocupações quanto à continuidade do piscinão, visto que, segundo os depoimentos, havia sinais de abandono do local com quase nenhuma manutenção sendo feita. Para Valdir Moita de Melo, morador da rua Amojuiba, no Parque Central, a subprefeitura abandonou a manutenção e as possibilidades de enchentes neste período são mais evidentes. “Não estão limpando a calha do piscinão e a área de reservatório de água vem diminuindo o que pode facilitar uma possível enchente se continuar a chover”, acredita. Outros moradores corroboram a declaração do morador dizendo que a capacidade de armazenamento diminuiu em 30%.
Para o atual subprefeito de Guaianases, Eduardo Carlos Felipe, durante a audiência, é a falta de uma definição mais clara da situação jurídica que cria dificuldades para a Prefeitura. Até agora, o piscinão não é nada mais do que o aproveitamento de uma calha natural de 74 mil m2 feita a partir da exploração do terreno anos a fio, por uma pedreira que operava no local. Por conta disso, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy optou-se por negociar uma locação com os supostos proprietários para o funcionamento do piscinão em busca de soluções para as enchentes durante o períodos das chuvas.
Segundo o deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP), também presente a audiência, e que na gestão anterior, era o secretário do Meio Ambiente, após as negociações foi afixado o valor mensal do aluguel em R$ 150 Mil. Esse valor foi baseado na avaliação feita pela secretaria municipal que cuidava das apropriações e que avaliaram em R$ 15 milhões todo o terreno, algo próximo de 240 mil m2 em contra partida ao pedido dos supostos proprietários que pediam R$ 45 milhões.
Para minimizar os problemas com as enchentes no local, esclareceu o deputado, a administração anterior optou por fazer a locação e iniciar um projeto de desapropriação para fins de utilidade pública. Para Adriano Diogo, a atual administração do ex-prefeito Serra (PSDB) e do Rodrigo Cassab (PFL), não deu o prosseguimento necessário em busca da desapropriação o que criou o atual impasse.
Apesar de demonstrar durante a audiência interesse no funcionamento adequado do piscinão, o subprefeito deixou transparecer que a situação é incerta uma vez que a pendência sobre a regularidade daquela área é objeto de discussão jurídica, como explicou o engenheiro Carlos Calil, outro assessor da subprefeitura. “A área está como se fosse em sub-judice. A regularização da propriedade pelo Afonso Dias que reivindica ser o dono tem que passar pela solução sobre as dívidas de um passivo ambiental que beira algo em torno de R$ 10 milhões, o que não é uma situação tão simples”, especula. Segundo Calil a questão está no jurídico da Prefeitura e a tramitação nem sempre é tão ágil quando o necessário e desejado a solução dos problemas da comunidade.
Após ouvirem a declaração de intenções por parte do subprefeito de tentar agilizar uma solução institucional e pelo compromisso com a manutenção mínima ao funcionamento do piscinão e de apresentar como prova uma comunicação interna autorizando consultas e eventuais compras de bombas para drenar a água, os vereadores Beto Custódio e Senival, o deputado Adriano Diogo e as lideranças presentes decidiram dar um voto de confiança vigilante ao subprefeito. Algumas lideranças, atendendo a convocação do vereador Beto Custódio ainda se dirigiram a Delegacia de Polícia do bairro para registrar um possível boletim de ocorrência preventivo para manutenção de direitos, conforme definição do vereador Beto Custódio em entrevista durante o início do ato público. (JMN)
Alternativa cultural atrás da delegacia de Itaquera
O ritmista da noite paulistana Rogério Camacho de Andrade oferece todas as tardes e noites a extensão de sua casa no centro de Itaquera para o deleite de músicos, artistas diversos e gente antenada no viés cultural. É o bar do Camachos.
Intercalando períodos de funcionamento intenso e outros de quase ostracismo, incluindo alguns fechamentos esporádicos por força das oscilações desse sujeito abstrato chamado “mercado”, o espaço segue revigorado e aconchegante, desde que foi reaberto pela última vez em outubro último.
Se a arquitetura e a decoração não primam pela originalidade com as acomodações modestas e despretensiosas, o clima pós-hippie da casa agrega parte da fina flor da intelectualidade orgânica local. São poetas, seresteiros, trabalhadores e vagabundos, professores e alunos de faculdades próximas com destaque para artistas plásticos, gente de teatro e músicos de várias vertentes, que se tiverem um estilo afinado com a proposta do local, por vezes, dão canjas no local.
Sendo um bar temático poderia cair no risco que ameaçam todos eles, ou seja a de ter uma abordagem monocórdia, estreita e sectária da cultura, entretanto isso não acontece e essa característica mais eclética e menos radicalizada é que mantém o vigor do local.
Naturalmente que sendo extensão da sua casa, o bar, que se confunde e se mistura propositalmente com um ponto de exposição cultural, carrega muito do modo de ver a vida do seu proprietário. O fato de Camacho ter sido ritmista na noite e de acompanhar a cena cultural, principalmente a musical, carrega determinadas posturas que, mesmo involuntariamente são transferidas ao ambiente. Por essa razão que ele pode ser considerado mais que um músico é também um agitador cultural.
Camacho já promoveu a exibição de mais uma dezena de filmes, notadamente do novo cinema brasileiro; fez alguns saraus poéticos e teatrais e promoveu centenas de apresentações de cantores e compositores locais em seu espaço, a exemplo do cantor e compositor com importante trabalho na região, Sacha Arcanjo, que se apresentava com o Trio Padiola, na noite do dia 10.
Para Sacha Arcanjo que ali se apresenta com alguma regularidade, “O bar do Camacho é um local onde você faz exatamente o que deseja. Você pode apresentar suas próprias composições e aquelas de terceiros com que mais tem afinidade, sem ser importunado por ninguém. Hoje, com certeza, é um dos locais mais agradáveis para se apresentar na zona leste”, sentencia o experiente músico.
Recentemente, consultado por uma arte-educadora sobre o que achava do Dia da Consciência Negra, Camacho traçou um paralelo dizendo que a data lhe parecia com aquele amigo que nunca te liga, apenas se lembra no dia do seu aniversário. Para ele, o racismo está na exclusão. “Afinal; todo dia é dia de índio. Todo dia é dia de todo mundo. As pessoas devem ser bons cidadãos e ter consciência geral de não discriminar, não poluir, não prejudicar os outros em nada. Como dono do bar eu quero que as pessoas venham aqui e sintam-se bem. Não quero que ninguém venha pra cá para ser agredido, independente de raça, credo, situação social, etc.”.
Finalizando Camacho explica que a pior parte da sua atividade é à hora de fechar o bar. “As pessoas não querem ir eu também não quero fechar”, registra . “Aqui também é um espaço para que as cabeças pensantes possam se livrar da mesmice que rola por aí”, citando um amigo seu da região. O espaço em questão, que fica atrás do 32º DP de Itaquera, geralmente, fica aberto todos os dias das 15 às 24h00. Às vezes segue aberto até os últimos freqüentadores.
Portal da Transparência do governo federal é reformulado para facilitar navegação
Foi incluída a Consulta por Favorecidos, que presta informações detalhadas sobre os recursos públicos federais destinados a empresas, órgãos ou cidadãos, independentemente da origem dos valores. A pesquisa pode ser feita por nome ou por código de identificação, como CPF, CNPJ ou NIS, sendo possível também listar os favorecidos em ordem decrescente de valor.
Está aberta também a Consulta de Diárias Pagas a servidores que viajam a serviço das repartições públicas, bastando para isso pesquisar informações através da digitação do nome do servidor. A Consulta Transferência por Ação de Governo acessa o repasse de recursos para estados, municípios e diretamente a servidores, classificadas por Ação de Governo. Com essa modalidade de consulta obtém-se os valores liberados pelo governo para quaisquer destinações, como o Fundef, o programa Bolsa Família, a qualquer pessoa ou organização.
Todos os convênios firmados pelo governo federal a partir do dia 1 de janeiro de 1966 estão disponíveis no portal no item Consulta a Convênios, onde o internauta obtém dados sobre os recursos liberados. O portal está também prestando informações instrutivas sobre a navegação no site, inclusive sobre como fiscalizar a aplicação de recursos federais. Foram incluídos os itens Aprenda Mais, Perguntas Freqüentes e Participação e Controle Social.
Ontem, (9), a CGU promoveu ações em todos os estados, por ocasião da comemoração do Dia Internacional contra a Corrupção, com apoio do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc). De acordo com a controladoria, “a idéia é aproveitar a celebração da data para na segunda-feira (11) qualificar membros dos conselhos municipais de controle social e incentivar a participação ativa do cidadão no acompanhamento e na fiscalização do uso do dinheiro público por parte dos governantes”.
Participam também das ações no Dia Internacional contra a Corrupção, o Ministério Público Federal, os ministérios públicos estaduais, o Departamento de Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União. A CGU entende que “a conscientização e a mobilização sociais são importantes para potencializar os resultados do seu trabalho”. Para o ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria Geral da União, “o controle institucional, por mais bem aparelhado que esteja, nunca será suficiente para coibir irregularidades sem a participação ativa da população”.
De acordo com a Controladoria Geral da União, o Programa Olho Vivo no Dinheiro Público, por ela desenvolvido, já realizou 37 eventos de educação presencial em 25 estados do país, abrangendo um total de 284 municípios.
Criatividade valoriza feira cultural de escola
Estratégia socialista
Um texto sucinto para reflexão é com o que nos brinda Wladimir Pomar, articulista do Correio Da Cidadania. Dada a importância e a oportunidade do assunto, convidamos os leitores a saboreá-lo. (JMN)
Qualquer estratégia socialista tem que tratar como questões cruciais as formas de propriedade e as forças produtivas existentes em cada país capitalista dado. A relação entre elas é que define o modo como a sociedade produz os bens necessários à reprodução de seus membros, e como ela se divide em classes ou segmentos sociais.
Para que o Estado possa transformar todas as formas de propriedade em formas socialistas, não basta realizar uma revolução política. Além desta, é necessário que as forças produtivas já estejam altamente desenvolvidas, e as formas de propriedade capitalista tenham esgotado seu papel de impulsionadoras daquelas. Se isso não tiver ocorrido, mesmo que os socialistas dirijam uma revolução política, eles terão que realizar o desenvolvimento das forças produtivas sociais através da utilização das diferentes formas de propriedade, inclusive capitalistas, durante um tempo considerável.
Foi com esse dilema que se confrontou a revolução russa, 89 anos atrás. Lá, como aqui ainda hoje, havia aqueles que achavam ser bastante resolver a questão do poder político para solucionar todos os problemas, sem considerar que a economia tem suas próprias leis de desenvolvimento. Apesar disso, viram-se ante a necessidade de adotar a Nova Política Econômica – NEP, através da qual não somente permitiram que formas capitalistas de propriedade convivessem com formas sociais de propriedade (estatais e cooperativadas), como aceitaram o ingresso de capitalistas estrangeiros.
Os ventos anunciadores de uma nova guerra mundial exigiram, do jovem país dos soviets, que ingressasse numa industrialização rápida para enfrentar a agressão externa, congelando a experiência da NEP. Diante dos sucessos industriais e tecnológicos da guerra e do pós-guerra, a NEP foi considerada ultrapassada, A forma estatal de propriedade tornou-se quase absoluta e monopolista. Porém, em poucos anos engessou o desenvolvimento das forças produtivas do chamado campo socialista europeu, e os impediu de ingressar na nova onda de revolução científica e tecnológica da segunda metade do século 20.
Aqueles que atacam o PT e Lula por favorecer o setor privado talvez devessem rever a experiência histórica soviética e dizer como pretendem escapar do mesmo dilema num país como o Brasil, cujas forças produtivas ainda são medianamente desenvolvidas, e onde as relações de propriedade capitalistas sequer viveram um estágio democrático amplo. E esclarecer, portanto, o que querem realmente dizer com “estratégia socialista”. Wladimir Pomar é escritor e analista político.